sábado, outubro 16, 2010

"Deve aprendê-lo novamente. Deve ensinar-se a si próprio a mais básica das coisas que deve temer; e, ao ensinar-se isso, esquecê-lo para sempre, não deixando espaço na sua oficina para qualquer coisa que não sejam as antigas veracidades e verdades do coração, as antigas verdades universais que tornam cada história efémera e condenada – amor e honra e piedade e orgulho e compaixão e sacrifício."
William Faulkner, no discurso de aceitação do seu Nobel

Debaixo das estrelas

A flutuar aqui assim contigo
Debaixo das estrelas
(Alinhadas) há 13 biliões de anos
A vista é bela
E só nossa esta noite
Debaixo das estrelas
A girar uma e outra volta contigo
Vendo as sombras derreter a luz
Que brilha suave dos teus olhos
Para outro espaço
É só nosso esta noite
Vendo as sombras derreter
E as ondas partem
E as ondas partem
Susurras no meu ouvido um desejo
“Podiamos partir à deriva”
Bem segura
A tua voz dentro da minha cabeça
O beijo é infinito 
E só nosso esta noite
“Podíamos partir à deriva”
A voar assim contigo
Debaixo das estrelas
Iluminadas há 13 biliões de anos
E só nossas esta noite
Debaixo das estrelas
E tudo o que foi
E tudo o que virá
Não nos será nada
Juntos como um só
Abraçados
Tão perto e tão longe
Sempre como agora
Debaixo das estrelas
Como as ondas que se partem

The Cure, Underneath the stars (tradução manhosa minha)

tu-em-outubro

Quantos anos tem a tua alma? Não a consigo imaginar intemporal, impressa em papiro ou gravada em pedra, em línguas que se deixaram morrer de tão gastas. Pergunto-me em quantas pessoas vives ou se regressarás uno, se és também flor, girassol ou orquídea? se alguma vez sentiste que tocasse a minha quando estamos (juntos, amor) ou se haverá partículas de ti em todas as pessoas de quem gosto. Imagino que tens um princípio, como eu, mas ainda te não descobri o fim e quanto penso em ti-palavra-em-mim és vento. Perdemo-nos quase tantas vezes como nos encontramos mas deve existir um qualquer fio de filigrana invisível, não me consigo desprender (de ti, meu bem, que és pessoa-universo). É uma estranha forma de amar, a nossa, malabarismo numa corda de circo ou levitação à beira de um precipício. Há dias em que acho que recriamos um cerimonial antigo, em que as almas se apresentam e se cortejam sem pressa. Outros há, em que sinto que nos deixámos ir (para os outros mundos só nossos) e que passarão muitos séculos até nos reencontrarmos. Achas que tens uma alma antiga? Ou que nasceste nesta vida e ela está fadada a crescer enquanto a minha definha? Teremos vindo das mesmas profundezas do tempo, roçado um num outro noutras eras ou nesta história, sem nunca nos sentirmos antes?

segunda-feira, agosto 16, 2010

Da tristeza e outros demónios

As pessoas dizem “Morreu…” e estão todas enganadas, não foi nada disso que te aconteceu e não te deixo morreres-me quando te apetece. Falo contigo porque não consigo falar com mais ninguém e estou zangada porque te esqueceste, porque é que não vens assombrar-me?

Este ano lembrei-me só eu e não disse a vivalma, tu sabes que eu sei e sempre adorámos os silêncios nos olhos um do outro. Quem cá está (eu não conto, sou metade de mim e menos um bocadinho) vai usando todas as palavras no dicionário e não consegue dizer nada, não percebo esta ânsia em gastá-las a todas se a nenhuma é concedido peso, substância, intenção.

Todas as tristezas têm verdades intrínsecas e eu quedo-me sem lágrimas. A tristeza-só-minha tem demónios que me visitam de noite, quando tu não estás, mas não faz diferença nenhuma, a minha alma aninhou-se e escondeu-se quando desceram o teu caixão.

Tenho o coração descompassado e desocupado e não sei porque é que escrevo isto, não é nada que não saibas já nem nada que nunca tenhas sabido (tu que sempre soubeste tudo, sentiste tudo e deste tudo, não achas que me deves mais do que uma carta, mais do que recordações, mais do que viver uma vida inteira sem ti?)

Não houve árvore, nem rum, nem ria, nem traineiras, nem as luzes da cidade a tremelicar na água. Não consegui voltar a fazer isso e não sei se alguém lá foi, fui sempre invasora num sítio só vosso e nem sequer é aí que te recordo.

Nós tínhamos uma falésia, um forte de mármore cinzento na serra, charros fumados às escondidas, homens que tocam saxofone a horas impróprias, filmes de terror e tudo o que não quero aqui contar, já ofereci tantos pedaços de ti…

Nós tínhamos (claro que volto atrás e ao mesmo, não foste tu quem me proibiu de desistir?) um mapa invertido para viver a vida, nesta casa educam-se livres-pensadores, dizia o pai, e tenho vontade de lhe gritar vai-à-merda, tu e essa teoria cretina, tinhas de lhe ter formatado o cérebro para ser como as pessoas normais, essas-que-não-encostam-caçadeiras-à-boca-e-disparam.

E é tão injusto que fico sem ar, ele morreu contigo e não tenho ninguém que oiça os meus gritos. Vou escrevendo tudo para que sintas a vida passar, onde quer que estejas, tudo o que não consigo dizer porque vive na minha garganta uma roseira brava e os espinhos vão rasgando a carne à medida que crescem. Porque é que não vens assombrar-me?

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Largos são os dias sem ti...

... meu querido. Mais do que os que consigo somar, agora contabilizados em meses e anos e não em semanas ou dias. Sinto o aperto (quantos mais anos sentirei?) e dominas os meus sonhos, puxas-me as orelhas e ris (lembrar-me-ei da ultima vez que rimos juntos?) e invento uma vida paralela, onde vives ainda.
Os teus amigos cresceram. Alguns casaram, alguns correm mundo, alguns estão exactamente onde estavam e não terias grandes problemas em pôr-te a par. Com alguns vou falando e sei que têm saudades tuas cada vez que olham para mim. Será parte daquela pergunta que te irritava sempre um bocadinho, são gemeos? e da resposta altiva, cheia de orgulho eu sou mais novo quase dois anos (e no intimo, não tenho culpa nenhuma que ela pareça infantil...).
Desejo os devidos parabéns a quem ainda calcorrea o mundo e em silêncio, desligo o telemóvel e penso em ti, nas memórias que correm para além da memória, nos anos que tive e nos que perdi.
Acho que ninguém percebe muito bem que te trago comigo todos os dias e que há alturas em que não te consigo partilhar. Sei que me reconheces naquilo que me torna irreconhecivel a olhares alheios, em sangue, cheiro e terra. Uma parte de mim suspeita que também querias isso e que me desejaste um futuro em que fosse incapaz de reinventar o passado.
É estranho, sabes. Sei-me muito mais quem sou porque viveste e não porque me morreste. Vou repetindo que a minha persistência vem do amor e não da perda mas há dias, como hoje, que não sei bem o que é que estou a tentar provar nem a quem. Parte dos meus sonhos foram-se, estilhaçados pelo peso dos dias repetidos, e desses sinto uma falta relativa. Vou-me dizendo que impossivel é deixá-los morrer a todos, que aí chegarei exactamente onde tu chegaste e eu prometi-nos que continuava, mesmo que nunca me tenhas ouvido dizê-lo. Assim, reinvento. Ou ponho os pés pelas mãos e esforço-me. Ou esquivo-me a defini-los com precisão, para evitar perceber o que é que perco e se estou a ganhar alguma coisa. Precisava muito que viesses esta noite. Que, com duas frases arrasadoras, me fizesses sentir irrecuperavelmente rendida. E que, entre a gargalhada e a sobrancelha levantada, me passasses a ganza (és capaz de parar de rir que o pai ouve?) e inquirisses a partir do momento em que nos desviámos então? vais ou não contar-me o que é que se tem passado em Lisboa?
E largos continuarão a ser todos os dias...

terça-feira, outubro 13, 2009

1800 kms depois continua (quase) tudo na mesma!

Este é o meu balanço da season eleitoral. Três fins de semana. 1800 kms. 5 votos depositados nas urnas. 2 no Bloco, 3 no PCP. Distribuam-nos com imaginação. Mantive-me fiel ao princípio de não votar Sócrates este ano. Tenho uma tristeza imensa do meu socialismo se ter tornado nesta coisa manhosa, amorfa, corrupta, medrosa e desgraçadamente cumplice nos silêncios. Voltaria a fazer cada km, mesmo sabendo que os meus votos serviram para muito pouco. Exceptuando a subida meteórica do PP (lógica, ainda assim, porque os extremismos de direita sobem sempre em alturas de crise), o resto era relativamente expectável. Pensei que o PS se saisse um bocadinho pior mas dadas as alternativas, consigo perceber bem esta escolha. Visto que não vamos ter uma revolução nas ruas (que pena...queria tanto viver um sucedâneo do 25 de Abril), o melhor mesmo é esta solução de compromisso, que obriga a negociar, a discutir, a regatear e a alguma ginástica contorcionista de circo. A maioria absoluta é um disparate. Pedi-la é sinal de que são sumariamente incompetentes para a saudável discussão democrática. Devemos ser o único país civilizado onde se defende a ingovernabilidade sempre que há necessidade de coligações parlamentares. Não perdemos o complexo Marquês de Pombal e mantemo-nos Salazarentos e empoeirados. Praticamos a critica e a má-língua com despudor mas quando chega a altura de fazer qualquer coisa, preferimos o Chuck Norris e o sofá, o farnel e a praia, o amor livre nos bosques (acho eu, que por esta altura deve haver pouco bosque que não tenha sido reduzido a cinzas...). E isso chateia-me, caraças. Fiz 1800 kms e estou viva. Custava muito sair de casa, atravessar a rua e pôr uma cruz num papelinho?

sábado, outubro 10, 2009

A paz dos homens?

Isso, pá. Lixem a presidência do homem, sim. Atem-lhe as mãos e os pés, concedam-lhe "estatura moral" e a "grande honra" de ter mais um motivo para ser atacado, a nível interno e nos palcos armadilhados onde se brinca à grande política internacional. Tirem-lhe espaço de manobra para gerir equilíbrios, gozem com o facto de ter herdado e estar entalado em dois cenários de guerra invenciveis, boicotem cada cimeira em que consiga juntar palestinianos e israelitas (pura incompetência do Nobel, daqui para a frente...), amordacem-lhe a boca cada vez que ameaçar carneirinhos tresmalhados com arsenal nuclear e por aí em diante. Será impressão minha ou nunca a Academia Sueca ofereceu uma cenoura com um pau tão comprido?

domingo, outubro 04, 2009

Sussuro para o filho que ainda não tenho

Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya
Jorge de Sena
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural. Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós. E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,ou mais que qualquer uma delas uma fiel dedicação à honra de estar vivo. Um dia sabereis que mais que a humanidade não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, de insólito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente à secular justiça, para que os liquidasse com suma piedade e sem efusão de sangue. Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas, foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, e os seus corpos amontoados tão anónimamente quanto haviam vivido, ou as suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória. Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de uma classe, expiaram todos os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência de haver cometido. Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos. Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, aniquilando mansamente, delicadamente, por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de deus. Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror, foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha há mais de um século e que por violenta e injusta ofendeu o coração de um pintor chamado Goya, que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor. Mas isto nada é, meus filhos, apenas um episódio, um episódio breve, nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis) de ferro e de suor e sangue e algum sémen a caminho do mundo que vos sonho. Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la. É isto o que mais importa - essa alegria. Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá. Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição, e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero. Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia-mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -não hão-de ser em vão. Confesso que muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos de opressão e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsolável. Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam, quem ressuscita esses milhões, quem restitui não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado? Nenhum juízo final, meus filhos, pode dar-lhes aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram, aquele gesto de amor, que fariam "amanhã". E, por isso, o mesmo mundo que criemos nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é só nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente em memória do sangue que nos corre nas veias, da nossa carne que foi outra, do amor que outros não amaram porque lho roubaram.
Quero, um dia, poder ler isto aos meus filhos. Quero poder sussurar-lhes à noite que a vida vai ser dificil mas que vale cada segundo. Que espero que sejam corajosos, livres e justos. Que não estão autorizados a desistir de sonhar. Espero que cresçam com a verdade fundida na alma e que o coração bata descompassadamente com cada iniquidade que presenciem. Que sejam pessoas de riso fácil e lágrimas solidárias. Que compreendam o real valor de cada queda e, por isso, estendam sempre as mãos a quem precisa. Quero conhecer os filhos que ainda não tenho. Ficar surpreendida porque não são exactamente como eu os sonhei mas como são, orgulhosa porque são melhores que eu, triste porque vão cambalear demasiadas vezes no caminho. Queria que acreditassem na magia do amor, que aprendam a entregar-se inteiros (nunca menos do que eles todos), que sejam leais para quem a eles se entregar, em tempos de amizade ou de guerra. Quero muito poder embalá-los, aninhá-los, passar-lhes as mãos pelo cabelo, beijar-lhes a testa e dizer-lhes que os amo mais do que o tempo de uma vida e, que sim, viverei enquanto eles viverem e enquanto os seus filhos viverem e os filhos dos seus filhos. E que, se algum dia me perder no caminho e deixar de lá estar, alguém vai agarrá-los no exacto ponto onde os deixei e ensiná-los a dar os próximos passos. Que nunca caminharão sozinhos.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Palavras roubadas

TEMPO DE AMOR (SAMBA DO VELOSO) Vinícius de Moraes Ah, bem melhor seria Poder viver em paz Sem ter que sofrer Sem ter que chorar Sem ter que querer Sem ter que se dar Mas tem que sofrer Mas tem que chorar Mas tem que querer Pra poder amar Ah, mundo enganador Paz não quer mais dizer amor Ah, não existe Coisa mais triste que ter paz E se arrepender E se conformar E se proteger De um amor a mais O tempo de amor É tempo de dor O tempo de paz Não faz nem desfaz Ah, que não seja meu O mundo onde o amor morreu

domingo, setembro 20, 2009

Uma etiqueta só para mim

Às vezes penso que gostava que viéssemos "etiquetados". Que nos pusessem à nascença uma pulseirinha ou um chip ou qualquer outra coisa, altamente futuristica, que nos desse uma pista para encontrar a pessoa no mundo mais compatível connosco. A alma gémea.
A escolha de correr o mundo à procura ou atalhar a felicidade com alguém que se conheceu no caminho seria inteiramente nossa. Mas pelo menos saberíamos que, algures, há uma pessoa mais perfeita que todas as outras para nós. E tentávamos.

terça-feira, setembro 08, 2009

Não há Festa como Esta

Fui de fim-de-semana para o Avante. O primeirissimo (vergonha!), neste ano de tantas estreias. Para quem nunca foi, ficam aqui umas informações: Sim, vendem-se Coca Colas. Sim, há Multibancos por todo o lado, em todas as barraquinhas e debaixo de pérgulas com buganvilias lilazes. E, sim, é um antro consumista de revivalismo proletário e pseuso-revolucionarismo fashion. É óbvio que amei aquilo perdidamente. Eu já ia condicionada para gostar. Tinha lá muitos amigos a fazer turnos em barraquinhas, muitos que tinham ajudado a montar a coisa, muitos que simpatizam ou militam na causa. Tinha a minha raiva anti-socrática, a minha recem-conversão à diversão nocturna e diurna, a minha eterna simpatia pela "esquerda radical". Mas os camaradas têm razão. O Avante é diferente de qualquer ajuntamento lúdico, cultural, político ou ideológico a que já tenha ido. É mesmo uma Festa. Recebe-se bem. Há ranchinhos, grupusculos cantadores, tambores e fanfarras. Há bifanas, bailaricos e muita, muita cerveja. Há bebidas boas de países distantes (Meu Deus, o que eu gostei do pisco chileno!!), música em quase todas as ruas, gente "mascarada" com Ches, foices-e-martelos, palavras de ordem em russo, cravos vermelhos e imensos sorrisos. Há crianças a tomar banho em fontes, multidões que dançam e saltam quando toca a Carvalhesa, milhares de pessoas que cantam em coro músicas da Revolução Cubana ou a "Trova do Vento que Passa". Há comidinha boa em quase todo o lado e muita vontade de mudar o mundo, com vista bonita para o Tejo. Há o discurso do Jerónimo, histeria quando passam imagens do Cunhal nos ecrans gigantes e militantes da vida toda que choram quando entram lá dentro, porque não podiam morrer sem vir ao Avante (conheci um destes velhinhos, o Sr. Manuel, durante o fim-de-semana, numa cadeira de rodas porque já tem 85 anos e as pernas falham, que me dizia que não há coisa mais linda que o nosso partido...).
Na Atalaia, tive direito à primeira (e suponho que única) dedicatória em palco da minha vida. Um grande amigo, de muitas lutas, é de longe o mais jovem membro de um grupo coral alentejano. Durante o concerto, viu-me no meio da assistência e lá me conseguiu pôr de lagriminha no olho, emocionada até mais não por uma homenagem que não mereço, quando me surpreendeu com a "Lavadeira". Obrigada, camarada. Hasta siempre.
P.S. As fotos foram tiradas por mim. Espero que nenhum dos retratados se ofenda mas tiro-as imediatamente se houver descontentes.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Amores de Perdição

A vista não é só assim. É melhor. Mas mesmo muito, muito melhor.
Ontem apresentaram-me este sitio e apaixonei-me perdidamente. E sinto-me uma idiota. Como é que é possível viver tantos anos em Lisboa e ninguém ter partilhado este segredo comigo?
Nas próximas semanas é lá que me encontram. No terraço do Mercado do Chão do Loureiro. Podem ir à confiança. E depois não digam que não sou vossa amiga.

sábado, agosto 08, 2009

Pragas, pestes, pandemias e outras que tais.

Depois de meses a gozar entusiasticamente com os receios alheios, a reencaminhar emails cretinos sobre a "suína" e a fazer os meus próprios planos idiotas de festas gripais e saudável convivência quando ela chegasse, começo a cair em mim (caio em mim, para mim e sobre mim mais vezes do que aquelas que seriam desejáveis; os meus amigos já sabem: é dar-me tempo, que a passagem do meu estádio "Miguel Bombarda/Júlio de Matos" para uma quase normalidade acaba sempre por acontecer). Pior, estou a ficar um bocado histérica. Pior ainda, começo a levantar o pânico à minha volta.
Vivo numa propensão incorrigivel para adorar e vibrar com tudo o que é bizarria e conspiração. Se a coisa não é conspirativa, eu desejava sinceramente que fosse. Se é, eu consigo encontrar literatura que a torna ainda pior. Portanto, verdadeiramente entusiasmada com a primeira pandemia global da minha vida, pus-me a ler tudo o que encontrei sobre pestes bubónicas, pneumónicas, vírus e bactérias manhosas, doenças infecto-contagiosas hemorrágicas e por aí fora.
Nesta altura, consigo enunciar uma série de coisas verdadeiramente fascinantes (para mim, que o resto da minha Humanidade conhecida encolhe os ombros e responde-me com aquele ar de condescendência típico "Oh... M., outra vez??). Vou partilhar convosco, sim? Pelo menos com aqueles que não me conhecem e que, por isso, espero, tenham um bocadinho mais de paciência para as minhas parvoíces.
Então é assim: as pragas da antiguidade não tiveram grande piada, há pouca literatura e resumem-se a umas coisitas vindas do Iemen, ou de Alexandria, ou que mataram uma parte de Atenas ou do Médio Oriente mas como foi à escala deles e há demasiado tempo, passei à frente. A coisa começa a ser verdadeiramente "gira" na Peste Negra. A Bubónica. De 1347 a 1351, foi só ver gente cair. A culpa, para quem não sabe, é das marmotas. De quem? Das marmotas, repito. As nossas amigas marmotas, ainda hoje um bicho fofinho, morrem de bubónica. Morrem, no presente do indicativo, porque a peste bubónica ainda existe e é endémica de determinadas regiões do mundo (como a Mongólia). Ou seja, pode voltar-nos a bater à porta um destes dias. As marmotas adoram ratos pretos. E os ratos pretos, espalhados pelo globo no século XIV, vivem agora todos à volta do Mediterrâneo. (portanto, minha gente, nada de trazer uma marmota como souvenir da Mongólia e juntá-la ao hamster lá de casa). Os ratinhos infectados da altura estavam embutidos de espírito Cristovão Colombo e enfiaram-se nos navios. Os ratos morriam de bubónica, como as nossas queridas marmotas. O outro elo da cadeia, não. O outro elo da cadeia são as pulgas. Nas pulgas, a peste tem 1 efeito verdadeiramente fascinante. Bloqueia-lhes a capacidade de absorção do sangue, acabando por condená-las a uma morte lenta à fome. Assim, depois de picarem um rato infectado e se lançarem de seguida ao pernil humano mais a jeito, as pulgas não tinham outra hipótese senão regurgitar a paparoca. Em cima da picada. É uma transmissão sangue a sangue (humano-ratazanal). Eu não disse que isto tinha piada? Depois de umas dezenas de picadas e muita regurgitação, a nossa pulga morre. Um momento de silêncio, se faz favor. Também me apetecia descrever aqui a morte rápida e dolorosa mas toda a gente já viu filmes e série q.b. para vos dispensar a isso (parêntesis, outra vez, e bolinha vermelha no canto direito do ecrã para acrescentar que na gripe pneumónica, vulgo espanhola, de 1918/9, as pessoas acabavam por morrer sufocadas no próprio sangue, que lhes escorria do nariz e da boca. Fechar parêntesis, que agora vou escrever sobre essa).
A pneumónica (só consigo ouvir a minha adorada amiga P. a gritar-me ao telefone "Cala-te com a pneumónica, que já não te posso ouvir!") foi um H1N1. Como a nossa, agora. Matou qualquer coisa como 20 a 50 milhões de pessoas. Quase todas entre os 20 e os 40 anos. Como a nossa. Espalhou-se especialmente depressa entre os exércitos entrincheirados na Europa (como surgiu uns meses poucos antes do Armistício, os exércitos ainda não tinham desmobilizado). Propagou-se mais depressa por causa das celebrações do final da guerra e veio em três vagas sucessivas. Outono-Inverno, Primavera e Verão. Como os desfiles de moda. Há quem acredite (ah...é por isso que eu amo os meus camaradas conspirativos) que o nível de mortalidade se deveu às primeiras campanhas de vacinação. De facto, pela primeira vez na Histórias, os exércitos da Grande Guerra foram massivamente vacinados. Contra o tifo, desinteria e por aí fora. E a gripe pneumónica apresentava características de todas essas doenças, baralhando, inicialmente, os médicos que se confrontaram com a doença. No caso das pessoas mais jovens e tendencialmente mais saudáveis, o esforço dispendido pelo sistema imunitário a combater esta estirpe, distinta da gripe sazonal, era de tal ordem que o corpo entrava em colapso. Um bocadinho como agora embora ainda seja precisa uma mutação minorca para lhe aumentar o nível de mortalidade. Ou seja, a nossa, por enquanto, ainda mostra preferência por quem sistemas imunitários mais frágeis embora se suponha que ataque menos pessoas de idade porque estas ainda possuem alguns anticorpos passados pelos pais e avós que viveram a pneumónica. Nós, jovens imberbes, já não possuímos esses anti-corpos. Shame on you.
Concluindo, (que já é hora). Vou abastecer-me de bens este fim-de-semana. Porque ela vem aí. Pode não ser hoje. Nem amanhã. Pode até ser que, por um qualquer milagre, passemos quase incólumes por esta gripe. Mas outra virá. E depois outra. Porque sempre existiram pragas e pandemias e continuarão a existir enquanto existirem vírus e bactérias. E enquanto o ser humano for tendencialmente gregário. E partilharmos espaço público e vida privada. Pelo menos agora percebi (depois de muito relato de morte horripilante) que, se derem a tal "festa da gripe", prefiro não ser convidada. Se tiver de a apanhar, apanho. Agora não vou caminhar de estandarte erguido e sorriso nos lábios para a coisa, até porque a coisa pode, de um dia para o outro, transformar-se em psicopata assassina.

terça-feira, abril 14, 2009

Pela liberdade de expressão

"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina"
"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina"
"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina"
Concordo e subscrevo. Por um artigo que começa assim, no Diário de Notícias, João Miguel Tavares está a ser processado pelo cidadão José Sócrates. Parte da restante comunicação social está a ser intimidada com a instauração de processos similares ou a ameaça dessa possibilidade.
Começo a achar que parte da liberdade deste país está a jogo, aqui e agora. Portanto, repetirei e reproduzirei, as vezes que forem precisas:
"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina"

domingo, março 29, 2009

O ano que passa, o ano que chega...

Old Jerusalem, Love and Cows - The Temple Bell (o video não está grande coisa mas sugere-se aos interessados que voltem ao lugar do crime, a ZDB, a 18 de Abril, às 23h)
«We fabricate the concepts but fundamentally fail to connect *
We find awkward our true feelings and give them shapes more 'politically correct'
Like when you are bored of me and you won´t take another night
Becomes “we are not communicating, something isn´t right”
Well, it is, that is just the way things are
The end of love sometimes find us sobbing in the car
I have always been a mama’s boy, I can´t cook a meal to save me
With the clothes, I don´t know what is what and my algebra betrays me
When it´s time to add up to the month’s expenses
When it came to money you were always the one wearing the pants, here
In my hands, though economically trained, money tends to disappear
But the pile of CD's grows proportionately
Same with the books on the shelves, placed like we like them carelessly.
Girl, sometimes you’re a drag, but I see now how sometimes you can´t surrender
Yes, it was me, some friends, including that girl that you don´t like to remember
We had fun, we caught the sundown at the pier
Later we went out and by then the talking made it clear
I was wrong, I might have induced a mistake
But there was nothing we could do, it was too late
I´m growing old, they tell me that my belly´s getting fat
It´s good to hear you say you don´t see it all like that
I too think that my belly is just fine
There´s something wrong with these times, people waste way too much time
Pumping iron or running ‘round in gyms
Trying desperately to keep young, to be beautiful and thin
I follow the directions as they come, I don´t do that to annoy ya
And you see today how it was then for me, since now you too have myopia
It´s not easy to wake up and see a blur
And I know that you were mad, but these things they may occur
I was careful, I just didn´t see the cow
It just broke one of it´s horns anyhow
Plus, who’d think of leaving that thing on the floor?...My arguing annoys you even more
Still, we end up making love, because when "Love & Cows" are mentioned
That thing we know inside our minds grabs hold of our attention
And our minds and bodies just sensually click
I fall between your boobs and you on my dick»
Há um amigo, destes (blogosféricos) e de outros combates, que faz anos hoje. Sei que preferia ignorar o dia, que se sente cansado e que não está a ser um ano fácil. Espero, ainda assim, que o dia lhe tenha sido leve, que tenha sentido o privilégio de estar vivo e de ir somando dias, experiências e surpresas. Espero, ainda com mais força (e que a esperança mude o mundo, pelo menos o nosso, pequenino, do quotidiano) que a passagem de mais um ano lhe traga um amor da dimensão que merece, daqueles que nos libertam e nos abrem os sentidos de par em par, dos capazes de abençoar os dias e fazer-nos sonhar com as noites...Que nos seus ombros se abram asas e que voe para onde deseja. Que conquiste o tempo e o espaço e os torne só seus, numa vida grata de coisas boas, como ele gosta. E, como está mais habituado a dar do que a receber, que este seja também o ano em que na sua direcção se estendam dádivas e se desbravem caminhos....Parabéns!
* A letra foi roubada, vilmente, daqui. Aliás, sugiro a audição no mesmo sítio.

quinta-feira, março 26, 2009

Recorrente

U2, Running to Stand Still - Rattle and Hum
Esta música viaja comigo há muitos e muitos anos. Persegue-me. Nos dias bons, consigo imaginar perfeitamente esta mulher a correr sob um céu cinzento de trovoada. Nos maus, vejo-me a mim. Esta semana sou eu toda, dentro de um espelho...

terça-feira, março 24, 2009

Big in Japan

Guano Apes, Sudoeste 2000
Ainda na 6ª feira, a minha melhor amiga falava-me deste concerto. Estivemos lá, as duas, sem nos conhecermos ainda e concordámos que representava o melhor do SW, na altura em que se comia pó com gosto, o acampamento era onde se quisesse e eram todos bem vindos, com ou sem bilhete. Se não estou em erro, houve milhares de pessoas a saltar a vedação nesta noite. O espaço, não esta coisa pavorosa que existe agora, com tendas vips e carroseis de feira, era mais pequeno e esgotou a lotação.
Esta noite sonhei que tinha ido ao Japão. Fritei. Acordei devagarinho, meio perdida, a resmungar comigo que era uma vergonha não ter dito a ninguém que ia (e agora como é que eu explico, como?), logo agora, que pus o meu mundo a mexer-se com a espectativa de outras paragens...

quarta-feira, março 18, 2009

Birkins para a Lemúria!

A Birkin da Hermes em pele de crocodilo e diamantes

O sonho de uma das minhas colegas de trabalho é ter uma malinha como a da imagem. Não necessariamente com diamantes mas preta e feita de pele de crocodilo do Nilo. Escusado será dizer (mas eu digo à mesma) que a ideia me dá a volta ao estomâgo. Até à semana passada, não sabia o que era uma Birkin (nem uma Kelly mas isso investiguem vocês). Esta semana já sei que custa no mínimo 7.500 dólares, que não se vende pela internet, que determinados modelos podem chegar a custar 1.000.000 (não, não me enganei nos zeros) de dólares e que são, geralmente, feitas de pele de animais exóticos (!?).

Também esta semana li que a AIG reservou 165 milhões de dólares, dos 170 mil milhões que os contribuintes e o governo americano ali enterraram, para pagar prémios aos administradores. Dessa gente (quantos serão?), 11 demitiram-se ontem; o conjunto de 10 deles recebeu 1/4 da reserva de bom desempenho. Parece que o Presidente dos EUA está a tentar impedir a distribuição deste justíssimo dinheiro.

Sou só eu ou está tudo parvo? Como é que o sonho de alguém pode ser andar com as chaves de casa e os cartões multibanco dentro de um animal morto? Que merda de sitio é este onde se passeia luxo cruel, capaz de alimentar tanta gente, oferecer casa e educação, saúde e futuro? Que filha da putice armaram para nem o presidente do país mais poderoso do mundo lhes conseguir mitigar a impunidade? Como é que é possível que esta gente não esteja ainda toda presa? E como é que, às orgulhosas detentoras de Birkins e afins, não lhes é exigido o dobro do valor que pagam pela mala em criar condições para a reprodução e protecção do crocodilo do Nilo, em tirar da escravatura os milhões de meninos africanos que trabalham nas minas de diamantes cartelizadas ou em fornecer condições de higiene e segurança, horários e salários condignos às meninas das sweat shops asiáticas que lhes cosem as malinhas?

terça-feira, março 17, 2009

Os que vão...

Não sei se convosco é a mesma coisa mas, desde o principio do ano, já foram duas amigas embora, trabalhar para Bruxelas. Esta semana parte a terceira, para o norte de Inglaterra. Vou despedir-me esta noite. Os meus amigos, família, conhecidos, foram partindo por vagas. Alguns já voltaram, como é o caso da amizade mais longa e constante da minha vida (celebrámos 29 anos a semana passada, porque o nosso foi um caso de amor ao primeiro olhar). Vão porque conseguem ganhar mais dinheiro, porque são reconhecidos naquilo que fazem, porque reencontraram um grande amor lá fora e não podem esperar nem mais um segundo para vivê-lo. Vão porque há cada vez menos para quem fica. Com crise ou sem ela, este país trata mal quem deveria tratar bem: os grandes profissionais, as pessoas excepcionais, os mais qualificados do que a maioria. Porque em vez de ter muita vontade de aprender, o vizinho do lado fica fodido porque lemos mais do que a média anual de um único livro (vou torcendo, pelo menos, para este ser muito bom...).
Há uma frase, que eu vou ouvindo de tempos a tempos, repetida essencialmente por quem nunca viveu fora de Portugal: que podemos fugir, sim senhor, mas que os nossos problemas, dúvidas e conflitos viajam connosco. É mentira. Ou uma verdade relativa, se quiserem. Alguma coisa, irá. Mas uma parte significativa das coisas má fica cá, porque é cá que elas vivem e não dentro de nós. O rever um ex namorado ou um ex qualquer coisa, o ir todos os dias fazer um trabalho que nos consome, a falta de amigos que nos percebam, tudo isso pode desaparecer num ápice, basta entrar no avião. Temos tempo e espaço para nos reinventarmos em alguém de quem gostamos mais, ganhamos a capacidade de perceber que respiramos bem fora do aquário, encontramos muitas vidas sem nunca perdermos a nossa e quem cá fica.
Assim, enquanto também eu tento organizar a vida para desaparecer uns anos, passar à clandestinidade numa cidade europeia qualquer, sugiro veementemente aos meus amigos que "desabelhem". É que, quem me conhece bem, sabe que eu trabalho para comprar 3 coisas: cigarros, livros e viagens. E não sei se consigo esperar até Maio para apanhar o próximo avião...

domingo, março 15, 2009

Vidas Rejeitadas

Esta semana demiti-me de cá vir. Tomei decisões importantes e achei que, se viesse racionaliza-las, provavelmente teria dúvidas. Tenho dúvidas à mesma, claro mas, ao contrário de muita gente, são as escolhas impulsivas (ou a capacidade de mudar a minha vida em 10 minutos) que me trazem alguma paz.
Eu costumo pensar bastante em tudo: rebobino conversas na cabeça, peso prós e contras, analiso as hipóteses todas. Depois, nada. Entrego o coração ao vento e venha o que vier. Parece estupidez crónica mas não é bem isso. No exacto instante em que a alma me sai pela boca, assumo na cabeça todas as consequências do que acabei de despejar. Sou anti-lodo e anti-marinanços. O imobilismo consome-me. Tenho de decidir e é com urgência.
Agora, já está. Escolhi uma parte importante do resto da minha vida. Rejeitei todas as vidas que poderia vir a ter, intermédias ou complementares desta. Acho que me escolhi a mim mas não tenho a certeza absoluta. Não tenho conselhos para quem está em encruzilhadas. Como no filme, o perder ou entrar no comboio fazem toda a diferença. São vidas inteiras que perdemos e vidas inteiras que ganhamos. E assim o pior, quando me ponho a pensar nisso, o pior mesmo, é que vamos todos morrer sem nunca saber qual teria sido a "certa"...