Esta semana demiti-me de cá vir. Tomei decisões importantes e achei que, se viesse racionaliza-las, provavelmente teria dúvidas. Tenho dúvidas à mesma, claro mas, ao contrário de muita gente, são as escolhas impulsivas (ou a capacidade de mudar a minha vida em 10 minutos) que me trazem alguma paz.
Eu costumo pensar bastante em tudo: rebobino conversas na cabeça, peso prós e contras, analiso as hipóteses todas. Depois, nada. Entrego o coração ao vento e venha o que vier. Parece estupidez crónica mas não é bem isso. No exacto instante em que a alma me sai pela boca, assumo na cabeça todas as consequências do que acabei de despejar. Sou anti-lodo e anti-marinanços. O imobilismo consome-me. Tenho de decidir e é com urgência.
Agora, já está. Escolhi uma parte importante do resto da minha vida. Rejeitei todas as vidas que poderia vir a ter, intermédias ou complementares desta. Acho que me escolhi a mim mas não tenho a certeza absoluta. Não tenho conselhos para quem está em encruzilhadas. Como no filme, o perder ou entrar no comboio fazem toda a diferença. São vidas inteiras que perdemos e vidas inteiras que ganhamos. E assim o pior, quando me ponho a pensar nisso, o pior mesmo, é que vamos todos morrer sem nunca saber qual teria sido a "certa"...
2 comentários:
"Entrego o coração ao vento e venha o que vier", não me parece nada estupidez crónica, muito pelo contrário!!
Desejo que tenhas a paz que precisas na tua escolha e, como nunca viremos a saber, valha-nos viver a nossa escolha pelo menos na certeza que fomos honestas com o coração.
E depois, se daqui a uns quilómetros sentires que não foi a melhor escolha, podes sempre sair desse comboio e apanhar outro, a vida não tem de ser um TGV.
Já me estou a habituar à ideia de que, contigo, estou sempre condenada a concordar... :))
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