domingo, setembro 20, 2009

Uma etiqueta só para mim

Às vezes penso que gostava que viéssemos "etiquetados". Que nos pusessem à nascença uma pulseirinha ou um chip ou qualquer outra coisa, altamente futuristica, que nos desse uma pista para encontrar a pessoa no mundo mais compatível connosco. A alma gémea.
A escolha de correr o mundo à procura ou atalhar a felicidade com alguém que se conheceu no caminho seria inteiramente nossa. Mas pelo menos saberíamos que, algures, há uma pessoa mais perfeita que todas as outras para nós. E tentávamos.

terça-feira, setembro 08, 2009

Não há Festa como Esta

Fui de fim-de-semana para o Avante. O primeirissimo (vergonha!), neste ano de tantas estreias. Para quem nunca foi, ficam aqui umas informações: Sim, vendem-se Coca Colas. Sim, há Multibancos por todo o lado, em todas as barraquinhas e debaixo de pérgulas com buganvilias lilazes. E, sim, é um antro consumista de revivalismo proletário e pseuso-revolucionarismo fashion. É óbvio que amei aquilo perdidamente. Eu já ia condicionada para gostar. Tinha lá muitos amigos a fazer turnos em barraquinhas, muitos que tinham ajudado a montar a coisa, muitos que simpatizam ou militam na causa. Tinha a minha raiva anti-socrática, a minha recem-conversão à diversão nocturna e diurna, a minha eterna simpatia pela "esquerda radical". Mas os camaradas têm razão. O Avante é diferente de qualquer ajuntamento lúdico, cultural, político ou ideológico a que já tenha ido. É mesmo uma Festa. Recebe-se bem. Há ranchinhos, grupusculos cantadores, tambores e fanfarras. Há bifanas, bailaricos e muita, muita cerveja. Há bebidas boas de países distantes (Meu Deus, o que eu gostei do pisco chileno!!), música em quase todas as ruas, gente "mascarada" com Ches, foices-e-martelos, palavras de ordem em russo, cravos vermelhos e imensos sorrisos. Há crianças a tomar banho em fontes, multidões que dançam e saltam quando toca a Carvalhesa, milhares de pessoas que cantam em coro músicas da Revolução Cubana ou a "Trova do Vento que Passa". Há comidinha boa em quase todo o lado e muita vontade de mudar o mundo, com vista bonita para o Tejo. Há o discurso do Jerónimo, histeria quando passam imagens do Cunhal nos ecrans gigantes e militantes da vida toda que choram quando entram lá dentro, porque não podiam morrer sem vir ao Avante (conheci um destes velhinhos, o Sr. Manuel, durante o fim-de-semana, numa cadeira de rodas porque já tem 85 anos e as pernas falham, que me dizia que não há coisa mais linda que o nosso partido...).
Na Atalaia, tive direito à primeira (e suponho que única) dedicatória em palco da minha vida. Um grande amigo, de muitas lutas, é de longe o mais jovem membro de um grupo coral alentejano. Durante o concerto, viu-me no meio da assistência e lá me conseguiu pôr de lagriminha no olho, emocionada até mais não por uma homenagem que não mereço, quando me surpreendeu com a "Lavadeira". Obrigada, camarada. Hasta siempre.
P.S. As fotos foram tiradas por mim. Espero que nenhum dos retratados se ofenda mas tiro-as imediatamente se houver descontentes.