terça-feira, dezembro 14, 2010
O Paraíso segundo Fitzgerald
sábado, outubro 16, 2010
Debaixo das estrelas
Debaixo das estrelas
(Alinhadas) há 13 biliões de anos
A vista é bela
E só nossa esta noite
Debaixo das estrelas
A girar uma e outra volta contigo
Vendo as sombras derreter a luz
Que brilha suave dos teus olhos
Para outro espaço
É só nosso esta noite
Vendo as sombras derreter
E as ondas partem
E as ondas partem
Susurras no meu ouvido um desejo
“Podiamos partir à deriva”
Bem segura
A tua voz dentro da minha cabeça
O beijo é infinito
E só nosso esta noite
“Podíamos partir à deriva”
A voar assim contigo
Debaixo das estrelas
Iluminadas há 13 biliões de anos
E só nossas esta noite
Debaixo das estrelas
E tudo o que foi
E tudo o que virá
Não nos será nada
Juntos como um só
Abraçados
Tão perto e tão longe
Sempre como agora
Debaixo das estrelas
Como as ondas que se partem
The Cure, Underneath the stars (tradução manhosa minha)
tu-em-outubro
segunda-feira, agosto 16, 2010
Da tristeza e outros demónios
As pessoas dizem “Morreu…” e estão todas enganadas, não foi nada disso que te aconteceu e não te deixo morreres-me quando te apetece. Falo contigo porque não consigo falar com mais ninguém e estou zangada porque te esqueceste, porque é que não vens assombrar-me?
Este ano lembrei-me só eu e não disse a vivalma, tu sabes que eu sei e sempre adorámos os silêncios nos olhos um do outro. Quem cá está (eu não conto, sou metade de mim e menos um bocadinho) vai usando todas as palavras no dicionário e não consegue dizer nada, não percebo esta ânsia em gastá-las a todas se a nenhuma é concedido peso, substância, intenção.
Todas as tristezas têm verdades intrínsecas e eu quedo-me sem lágrimas. A tristeza-só-minha tem demónios que me visitam de noite, quando tu não estás, mas não faz diferença nenhuma, a minha alma aninhou-se e escondeu-se quando desceram o teu caixão.
Tenho o coração descompassado e desocupado e não sei porque é que escrevo isto, não é nada que não saibas já nem nada que nunca tenhas sabido (tu que sempre soubeste tudo, sentiste tudo e deste tudo, não achas que me deves mais do que uma carta, mais do que recordações, mais do que viver uma vida inteira sem ti?)
Não houve árvore, nem rum, nem ria, nem traineiras, nem as luzes da cidade a tremelicar na água. Não consegui voltar a fazer isso e não sei se alguém lá foi, fui sempre invasora num sítio só vosso e nem sequer é aí que te recordo.
Nós tínhamos uma falésia, um forte de mármore cinzento na serra, charros fumados às escondidas, homens que tocam saxofone a horas impróprias, filmes de terror e tudo o que não quero aqui contar, já ofereci tantos pedaços de ti…
Nós tínhamos (claro que volto atrás e ao mesmo, não foste tu quem me proibiu de desistir?) um mapa invertido para viver a vida, nesta casa educam-se livres-pensadores, dizia o pai, e tenho vontade de lhe gritar vai-à-merda, tu e essa teoria cretina, tinhas de lhe ter formatado o cérebro para ser como as pessoas normais, essas-que-não-encostam-caçadeiras-à-boca-e-disparam.
E é tão injusto que fico sem ar, ele morreu contigo e não tenho ninguém que oiça os meus gritos. Vou escrevendo tudo para que sintas a vida passar, onde quer que estejas, tudo o que não consigo dizer porque vive na minha garganta uma roseira brava e os espinhos vão rasgando a carne à medida que crescem. Porque é que não vens assombrar-me?