sábado, outubro 16, 2010

"Deve aprendê-lo novamente. Deve ensinar-se a si próprio a mais básica das coisas que deve temer; e, ao ensinar-se isso, esquecê-lo para sempre, não deixando espaço na sua oficina para qualquer coisa que não sejam as antigas veracidades e verdades do coração, as antigas verdades universais que tornam cada história efémera e condenada – amor e honra e piedade e orgulho e compaixão e sacrifício."
William Faulkner, no discurso de aceitação do seu Nobel

Debaixo das estrelas

A flutuar aqui assim contigo
Debaixo das estrelas
(Alinhadas) há 13 biliões de anos
A vista é bela
E só nossa esta noite
Debaixo das estrelas
A girar uma e outra volta contigo
Vendo as sombras derreter a luz
Que brilha suave dos teus olhos
Para outro espaço
É só nosso esta noite
Vendo as sombras derreter
E as ondas partem
E as ondas partem
Susurras no meu ouvido um desejo
“Podiamos partir à deriva”
Bem segura
A tua voz dentro da minha cabeça
O beijo é infinito 
E só nosso esta noite
“Podíamos partir à deriva”
A voar assim contigo
Debaixo das estrelas
Iluminadas há 13 biliões de anos
E só nossas esta noite
Debaixo das estrelas
E tudo o que foi
E tudo o que virá
Não nos será nada
Juntos como um só
Abraçados
Tão perto e tão longe
Sempre como agora
Debaixo das estrelas
Como as ondas que se partem

The Cure, Underneath the stars (tradução manhosa minha)

tu-em-outubro

Quantos anos tem a tua alma? Não a consigo imaginar intemporal, impressa em papiro ou gravada em pedra, em línguas que se deixaram morrer de tão gastas. Pergunto-me em quantas pessoas vives ou se regressarás uno, se és também flor, girassol ou orquídea? se alguma vez sentiste que tocasse a minha quando estamos (juntos, amor) ou se haverá partículas de ti em todas as pessoas de quem gosto. Imagino que tens um princípio, como eu, mas ainda te não descobri o fim e quanto penso em ti-palavra-em-mim és vento. Perdemo-nos quase tantas vezes como nos encontramos mas deve existir um qualquer fio de filigrana invisível, não me consigo desprender (de ti, meu bem, que és pessoa-universo). É uma estranha forma de amar, a nossa, malabarismo numa corda de circo ou levitação à beira de um precipício. Há dias em que acho que recriamos um cerimonial antigo, em que as almas se apresentam e se cortejam sem pressa. Outros há, em que sinto que nos deixámos ir (para os outros mundos só nossos) e que passarão muitos séculos até nos reencontrarmos. Achas que tens uma alma antiga? Ou que nasceste nesta vida e ela está fadada a crescer enquanto a minha definha? Teremos vindo das mesmas profundezas do tempo, roçado um num outro noutras eras ou nesta história, sem nunca nos sentirmos antes?