Quantos anos tem a tua alma? Não a consigo imaginar intemporal, impressa em papiro ou gravada em pedra, em línguas que se deixaram morrer de tão gastas. Pergunto-me em quantas pessoas vives ou se regressarás uno, se és também flor, girassol ou orquídea? se alguma vez sentiste que tocasse a minha quando estamos (juntos, amor) ou se haverá partículas de ti em todas as pessoas de quem gosto. Imagino que tens um princípio, como eu, mas ainda te não descobri o fim e quanto penso em ti-palavra-em-mim és vento. Perdemo-nos quase tantas vezes como nos encontramos mas deve existir um qualquer fio de filigrana invisível, não me consigo desprender (de ti, meu bem, que és pessoa-universo). É uma estranha forma de amar, a nossa, malabarismo numa corda de circo ou levitação à beira de um precipício. Há dias em que acho que recriamos um cerimonial antigo, em que as almas se apresentam e se cortejam sem pressa. Outros há, em que sinto que nos deixámos ir (para os outros mundos só nossos) e que passarão muitos séculos até nos reencontrarmos. Achas que tens uma alma antiga? Ou que nasceste nesta vida e ela está fadada a crescer enquanto a minha definha? Teremos vindo das mesmas profundezas do tempo, roçado um num outro noutras eras ou nesta história, sem nunca nos sentirmos antes?