domingo, março 29, 2009

O ano que passa, o ano que chega...

Old Jerusalem, Love and Cows - The Temple Bell (o video não está grande coisa mas sugere-se aos interessados que voltem ao lugar do crime, a ZDB, a 18 de Abril, às 23h)
«We fabricate the concepts but fundamentally fail to connect *
We find awkward our true feelings and give them shapes more 'politically correct'
Like when you are bored of me and you won´t take another night
Becomes “we are not communicating, something isn´t right”
Well, it is, that is just the way things are
The end of love sometimes find us sobbing in the car
I have always been a mama’s boy, I can´t cook a meal to save me
With the clothes, I don´t know what is what and my algebra betrays me
When it´s time to add up to the month’s expenses
When it came to money you were always the one wearing the pants, here
In my hands, though economically trained, money tends to disappear
But the pile of CD's grows proportionately
Same with the books on the shelves, placed like we like them carelessly.
Girl, sometimes you’re a drag, but I see now how sometimes you can´t surrender
Yes, it was me, some friends, including that girl that you don´t like to remember
We had fun, we caught the sundown at the pier
Later we went out and by then the talking made it clear
I was wrong, I might have induced a mistake
But there was nothing we could do, it was too late
I´m growing old, they tell me that my belly´s getting fat
It´s good to hear you say you don´t see it all like that
I too think that my belly is just fine
There´s something wrong with these times, people waste way too much time
Pumping iron or running ‘round in gyms
Trying desperately to keep young, to be beautiful and thin
I follow the directions as they come, I don´t do that to annoy ya
And you see today how it was then for me, since now you too have myopia
It´s not easy to wake up and see a blur
And I know that you were mad, but these things they may occur
I was careful, I just didn´t see the cow
It just broke one of it´s horns anyhow
Plus, who’d think of leaving that thing on the floor?...My arguing annoys you even more
Still, we end up making love, because when "Love & Cows" are mentioned
That thing we know inside our minds grabs hold of our attention
And our minds and bodies just sensually click
I fall between your boobs and you on my dick»
Há um amigo, destes (blogosféricos) e de outros combates, que faz anos hoje. Sei que preferia ignorar o dia, que se sente cansado e que não está a ser um ano fácil. Espero, ainda assim, que o dia lhe tenha sido leve, que tenha sentido o privilégio de estar vivo e de ir somando dias, experiências e surpresas. Espero, ainda com mais força (e que a esperança mude o mundo, pelo menos o nosso, pequenino, do quotidiano) que a passagem de mais um ano lhe traga um amor da dimensão que merece, daqueles que nos libertam e nos abrem os sentidos de par em par, dos capazes de abençoar os dias e fazer-nos sonhar com as noites...Que nos seus ombros se abram asas e que voe para onde deseja. Que conquiste o tempo e o espaço e os torne só seus, numa vida grata de coisas boas, como ele gosta. E, como está mais habituado a dar do que a receber, que este seja também o ano em que na sua direcção se estendam dádivas e se desbravem caminhos....Parabéns!
* A letra foi roubada, vilmente, daqui. Aliás, sugiro a audição no mesmo sítio.

quinta-feira, março 26, 2009

Recorrente

U2, Running to Stand Still - Rattle and Hum
Esta música viaja comigo há muitos e muitos anos. Persegue-me. Nos dias bons, consigo imaginar perfeitamente esta mulher a correr sob um céu cinzento de trovoada. Nos maus, vejo-me a mim. Esta semana sou eu toda, dentro de um espelho...

terça-feira, março 24, 2009

Big in Japan

Guano Apes, Sudoeste 2000
Ainda na 6ª feira, a minha melhor amiga falava-me deste concerto. Estivemos lá, as duas, sem nos conhecermos ainda e concordámos que representava o melhor do SW, na altura em que se comia pó com gosto, o acampamento era onde se quisesse e eram todos bem vindos, com ou sem bilhete. Se não estou em erro, houve milhares de pessoas a saltar a vedação nesta noite. O espaço, não esta coisa pavorosa que existe agora, com tendas vips e carroseis de feira, era mais pequeno e esgotou a lotação.
Esta noite sonhei que tinha ido ao Japão. Fritei. Acordei devagarinho, meio perdida, a resmungar comigo que era uma vergonha não ter dito a ninguém que ia (e agora como é que eu explico, como?), logo agora, que pus o meu mundo a mexer-se com a espectativa de outras paragens...

quarta-feira, março 18, 2009

Birkins para a Lemúria!

A Birkin da Hermes em pele de crocodilo e diamantes

O sonho de uma das minhas colegas de trabalho é ter uma malinha como a da imagem. Não necessariamente com diamantes mas preta e feita de pele de crocodilo do Nilo. Escusado será dizer (mas eu digo à mesma) que a ideia me dá a volta ao estomâgo. Até à semana passada, não sabia o que era uma Birkin (nem uma Kelly mas isso investiguem vocês). Esta semana já sei que custa no mínimo 7.500 dólares, que não se vende pela internet, que determinados modelos podem chegar a custar 1.000.000 (não, não me enganei nos zeros) de dólares e que são, geralmente, feitas de pele de animais exóticos (!?).

Também esta semana li que a AIG reservou 165 milhões de dólares, dos 170 mil milhões que os contribuintes e o governo americano ali enterraram, para pagar prémios aos administradores. Dessa gente (quantos serão?), 11 demitiram-se ontem; o conjunto de 10 deles recebeu 1/4 da reserva de bom desempenho. Parece que o Presidente dos EUA está a tentar impedir a distribuição deste justíssimo dinheiro.

Sou só eu ou está tudo parvo? Como é que o sonho de alguém pode ser andar com as chaves de casa e os cartões multibanco dentro de um animal morto? Que merda de sitio é este onde se passeia luxo cruel, capaz de alimentar tanta gente, oferecer casa e educação, saúde e futuro? Que filha da putice armaram para nem o presidente do país mais poderoso do mundo lhes conseguir mitigar a impunidade? Como é que é possível que esta gente não esteja ainda toda presa? E como é que, às orgulhosas detentoras de Birkins e afins, não lhes é exigido o dobro do valor que pagam pela mala em criar condições para a reprodução e protecção do crocodilo do Nilo, em tirar da escravatura os milhões de meninos africanos que trabalham nas minas de diamantes cartelizadas ou em fornecer condições de higiene e segurança, horários e salários condignos às meninas das sweat shops asiáticas que lhes cosem as malinhas?

terça-feira, março 17, 2009

Os que vão...

Não sei se convosco é a mesma coisa mas, desde o principio do ano, já foram duas amigas embora, trabalhar para Bruxelas. Esta semana parte a terceira, para o norte de Inglaterra. Vou despedir-me esta noite. Os meus amigos, família, conhecidos, foram partindo por vagas. Alguns já voltaram, como é o caso da amizade mais longa e constante da minha vida (celebrámos 29 anos a semana passada, porque o nosso foi um caso de amor ao primeiro olhar). Vão porque conseguem ganhar mais dinheiro, porque são reconhecidos naquilo que fazem, porque reencontraram um grande amor lá fora e não podem esperar nem mais um segundo para vivê-lo. Vão porque há cada vez menos para quem fica. Com crise ou sem ela, este país trata mal quem deveria tratar bem: os grandes profissionais, as pessoas excepcionais, os mais qualificados do que a maioria. Porque em vez de ter muita vontade de aprender, o vizinho do lado fica fodido porque lemos mais do que a média anual de um único livro (vou torcendo, pelo menos, para este ser muito bom...).
Há uma frase, que eu vou ouvindo de tempos a tempos, repetida essencialmente por quem nunca viveu fora de Portugal: que podemos fugir, sim senhor, mas que os nossos problemas, dúvidas e conflitos viajam connosco. É mentira. Ou uma verdade relativa, se quiserem. Alguma coisa, irá. Mas uma parte significativa das coisas má fica cá, porque é cá que elas vivem e não dentro de nós. O rever um ex namorado ou um ex qualquer coisa, o ir todos os dias fazer um trabalho que nos consome, a falta de amigos que nos percebam, tudo isso pode desaparecer num ápice, basta entrar no avião. Temos tempo e espaço para nos reinventarmos em alguém de quem gostamos mais, ganhamos a capacidade de perceber que respiramos bem fora do aquário, encontramos muitas vidas sem nunca perdermos a nossa e quem cá fica.
Assim, enquanto também eu tento organizar a vida para desaparecer uns anos, passar à clandestinidade numa cidade europeia qualquer, sugiro veementemente aos meus amigos que "desabelhem". É que, quem me conhece bem, sabe que eu trabalho para comprar 3 coisas: cigarros, livros e viagens. E não sei se consigo esperar até Maio para apanhar o próximo avião...

domingo, março 15, 2009

Vidas Rejeitadas

Esta semana demiti-me de cá vir. Tomei decisões importantes e achei que, se viesse racionaliza-las, provavelmente teria dúvidas. Tenho dúvidas à mesma, claro mas, ao contrário de muita gente, são as escolhas impulsivas (ou a capacidade de mudar a minha vida em 10 minutos) que me trazem alguma paz.
Eu costumo pensar bastante em tudo: rebobino conversas na cabeça, peso prós e contras, analiso as hipóteses todas. Depois, nada. Entrego o coração ao vento e venha o que vier. Parece estupidez crónica mas não é bem isso. No exacto instante em que a alma me sai pela boca, assumo na cabeça todas as consequências do que acabei de despejar. Sou anti-lodo e anti-marinanços. O imobilismo consome-me. Tenho de decidir e é com urgência.
Agora, já está. Escolhi uma parte importante do resto da minha vida. Rejeitei todas as vidas que poderia vir a ter, intermédias ou complementares desta. Acho que me escolhi a mim mas não tenho a certeza absoluta. Não tenho conselhos para quem está em encruzilhadas. Como no filme, o perder ou entrar no comboio fazem toda a diferença. São vidas inteiras que perdemos e vidas inteiras que ganhamos. E assim o pior, quando me ponho a pensar nisso, o pior mesmo, é que vamos todos morrer sem nunca saber qual teria sido a "certa"...

domingo, março 08, 2009

No dia da gaja não há flores...

Joan Baez, Where Have all the Flowers Gone

Assumindo que o meu futuro é capaz de não ser o lesbianismo (se calhar até é mas é melhor ir pensando positivo), mesmo assim, gosto de mulheres pouco convencionais. E, justiça seja feita, a grande maioria das mulheres que me rodeiam são criaturas fantásticas. Independentes, corajosas, inteligentes (algumas muito espertas também), sofridas, divertidas, sensatas, ambiciosas, capazes de levarem o mundo à frente. São competentes naquilo que fazem, solidárias com os outros, decididas e altruístas. Sim, algumas têm momentos de futilidade de me fazer ter vontade de roer as unhas (coisa que eu não faço desde os 6 aninhos, altura em que a minha mãe me explicou, com efeito bombástico para o futuro, que as unhas continuavam a crescer dentro da barriga - haja criança crédula!)...e sim, senhor, algumas também perdem o norte quando apaixonadas e tornam-se num urso pardo bem diferente da amiga-koala fofinha que nós conhecíamos. Tirando isso, a verdadeira amizade entre mulheres é um bem raro e poderoso. O grau de intimidade, sintonia e incondicionalidade é de tal ordem que coitadinhos daqueles que se lembrarem de vir interromper. E, ao contrário daquilo que as pessoas pensam, não dura uma vida. Dura as várias vidas que vamos tendo e as várias pessoas que vamos sendo.
(Continuo a achar que é mais fácil ter amigos homens neste mundo. Dos meus muy simpáticos e desarmantes amigos do sexo masculino ouvi coisas tão doces como "já mostravas essas pernas, não?" (a moi, que tenho uma tara anti saias...) ou "era altura de dar um corte a essa trunfa" (o meu amigo J.A., que todos anos partilha a sua preocupação capilar comigo) ou ainda "era melhor usares um soutien, que o aerodinamismo destas cenas não dura para sempre" (o meu amigo R., em Coimbra). Pronto, com amigos gajos ouve-se sempre o que se quer e o que não se quer mesmo nada ouvir.)

A música é para a minha grande amiga S., onde quer que esteja. Em Lisboa, Bruxelas ou a vadiar pelo mundo. As flores que encontrar, serão para ti. Parabéns, miúda!

Génios económicos somos tu e eu...

The Daily Show with Jon Stewart
Chamaram-lhe um Tributo ao Canal de Negócios da América...

sexta-feira, março 06, 2009

A viagem é um Judeu Errante, nunca morto, nunca vivo, a caminhar até ao final dos tempos...

Bon Iver, Skinny Love in For Emma, Forever Ago
Esta semana, cortesia de uma das pessoas que mais gostei de conhecer este ano, aterraram na minha vida as palavras deste homem. Assim, do nada, a caminho de um comboio que nos iria levar a Lisboa. "Gravei-te uma coisa, acho que vais gostar". Então não, digo eu agora, atormentada por esta voz.
A vida é uma varinha mágica, não daquelas com que se tritura a sopa mas das outras, daquelas que enfeitiçam os momentos. Um (ou O) vasto mar de sargaços, livro também desta semana. Simultaneamente vazia e cheia. Há quem procure reconhecimento. Quem queira ser imensamente rico. Quem deseje ser amado. Quem construa castelos de coisa nenhuma e quem vá sonhando com aquilo que nunca terá. Há quem viva no excesso e quem aspire ao despojamento. Quem se perca e quem se encontre.
Há ainda quem, como nós P., embaladas pelo Zeca em estradas com precipícios e amendoeiras em flor, perdidas mas nunca muito, consiga admirar e partilhar a felicidade de quem encontrou um amor real. E achar que, mesmo que esse nunca venha, que nunca o encontremos, que nunca saibamos o que fazer com ele, calcorrearemos o mundo sem desistir. Porque o mais importante, há-de ser sempre a viagem.

quinta-feira, março 05, 2009

Lei da Maria

Aqui na imagem, a grande Nancy Botwin
Não me chocava nada se legalizassem as drogas todas. Também não me faz grande diferença se continuar tudo na mesma santa hipocrisia .
Como nunca tentei enfiar um risco de coca nariz acima ou pastilhar-me como se não houvesse amanhã, não faço ideia se ando a perder alguma coisa de jeito. O que não é verdade em relação à Mariazinha. Aí, a música a tocar deveria ser outra. Porque não está provado que seja pior que um cigarro, vinho, café ou chocolates. Porque é aditivo q.b., ou seja, não mais do que qualquer dos vícios citados. Porque tem comprovadas vantagens terapêuticas, quer na mitigação da dor, quer como calmante/relaxante. E, sobretudo, porque ninguém neste mundo tem nada a ver com as escolhas dos outros, desde que não firam a liberdade de cada um.
Se eu mandasse, saía uma lei assim:
Artigo 1º
É proibido comprar e vender cannabis.
Artigo 2º
São permitidos o cultivo doméstico e o consumo.
Artigo 3º
Recomenda-se a partilha. Fim da lei. Ponto final, parágrafo.
E pronto. Nada de coffe shops nem turismo ligado à coisa, incentivava-se a jardinagem como hobby para as camadas mais e menos jovens, deixávamos os traficantes um bocado abananados. E nós, que gostamos de erva, poderíamos passar a levar o nosso saquinho para jantares em casas alheias "prova lá da minha, que este ano a colheita é perfeita" ou oferecer como prenda de anos ou só porque sim "toma lá, pá, que eu provei a tua mistela e ninguém merece" ou ainda, visitar os vizinhos de cima e dizer com toda a naturalidade "dá-me um bocadinho da sua? prá semana devolvo", como se fosse o raminho de salsa, com o qual fui honrada, aqui.

quarta-feira, março 04, 2009

Ave de mau agoiro

Frank Carlucci

Este homem aparece hoje, num mini artigo de 3 parágrafos no Público, onde realmente não se diz nada. Nada excepto que, em 2007, Oliveira e Costa queria vender 50% da SLN à empresa desta pequena criatura e a "investidores angolanos". Esta pequena criatura também é dona do Freeport. E esteve envolvida com os negócios manhosos do Albarran, de que não guardo grande memória, a não ser que se pirou para qualquer lado mais agradável, onde não o chateassem.

Carlucci é uma sombra agoirenta a pairar neste país. Oiço falar dele desde pequena. Carlucci e a CIA. Carlucci no pós 25 de Abril. A FLAD. Os negócios. Não há nenhuma grande escandaleira democrática, nestes quase 35 anos desde 74, em que não venha à baila. Aliás, minto. Parece ter algum distanciamento dos casos de corrupção no futebol e nos que envolvem camas, "frutas" e criançinhas. De resto, lá está ele, "alapado" a Portugal, que nenhum sítio do mundo parece propiciar-lhe tantas alegrias. Haja alguém com tomates para investigá-lo. Please. Alguém que perca a vergonha de incomodar o turista que está de passagem e lhe diga que as regras do país são outras. Alguém que não deixe morrer o homem, já de si velhinho, com um epitáfio de "grande amigo da nação, dos portugueses e portuguesas, de alguém a quem devemos tudo", coroado com uma qualquer comenda póstuma. É pedir muito, é?