quinta-feira, março 05, 2009

Lei da Maria

Aqui na imagem, a grande Nancy Botwin
Não me chocava nada se legalizassem as drogas todas. Também não me faz grande diferença se continuar tudo na mesma santa hipocrisia .
Como nunca tentei enfiar um risco de coca nariz acima ou pastilhar-me como se não houvesse amanhã, não faço ideia se ando a perder alguma coisa de jeito. O que não é verdade em relação à Mariazinha. Aí, a música a tocar deveria ser outra. Porque não está provado que seja pior que um cigarro, vinho, café ou chocolates. Porque é aditivo q.b., ou seja, não mais do que qualquer dos vícios citados. Porque tem comprovadas vantagens terapêuticas, quer na mitigação da dor, quer como calmante/relaxante. E, sobretudo, porque ninguém neste mundo tem nada a ver com as escolhas dos outros, desde que não firam a liberdade de cada um.
Se eu mandasse, saía uma lei assim:
Artigo 1º
É proibido comprar e vender cannabis.
Artigo 2º
São permitidos o cultivo doméstico e o consumo.
Artigo 3º
Recomenda-se a partilha. Fim da lei. Ponto final, parágrafo.
E pronto. Nada de coffe shops nem turismo ligado à coisa, incentivava-se a jardinagem como hobby para as camadas mais e menos jovens, deixávamos os traficantes um bocado abananados. E nós, que gostamos de erva, poderíamos passar a levar o nosso saquinho para jantares em casas alheias "prova lá da minha, que este ano a colheita é perfeita" ou oferecer como prenda de anos ou só porque sim "toma lá, pá, que eu provei a tua mistela e ninguém merece" ou ainda, visitar os vizinhos de cima e dizer com toda a naturalidade "dá-me um bocadinho da sua? prá semana devolvo", como se fosse o raminho de salsa, com o qual fui honrada, aqui.

2 comentários:

Pulha Garcia disse...

Pensamento encantador. Sobretudo a parte de cada um e para os jantares e dizer "prova lá da minha"!

Erva faz falta (tal como "O Zé faz falta") contudo acho sinceramente que o povo Português já está demasiado drogado com vinho, novelas, bola, uma educação para sub-instruídos, Júlia Pinheiro, etc...

M. disse...

E se eu, portuguesa (quase) de gema, bisavô cigano incluido, não for capaz de me drogar com nada disso?
Vivo condenada à lucidez ou planto o meu arbusto na marquise?