É importante que haja gente disposta a ir para a cama com outra gente. É importante manter o desígnio e o rumo da Dr.ª MFL e procriarmos muito, que é a única utilidade óbvia do sexo. As criaturas do vídeo estão cá para lhe dar razão. Comeram-se há nove meses, quando ele tinha 12 aninhos (nem quero imaginar quão mais minorca devia parecer) e ela 14. Aliás, ela, a Chantelle Steadman, esforçou-se de tal maneira que andou a papar oito - sim, 8 - ao mesmo tempo. Parece que não é má língua e há outros candidatos a perfilhar a criancinha (agora, se fosse má, podia perguntar qual delas, mas como não sou...). Ora, eu estou indignada! Primeiro, porque tendo o dobro da idade da Chantelle, ainda não consegui comer 8 homens nesta vida. Segundo, porque tendo uma fotografia tão gira no perfil, já devia estar na altura de eles me caírem do céu em barda. E terceiro e último, para não saturar ninguém, não seria altura dos pais desta gente toda levantarem os dignissimos rabos do sofá e ensinarem-lhes alguma coisa?
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Serviços Mínimos
Tenho alguns medos na vida. Não são muitos e nenhum é paralisante. Quanto muito, o coração dispara um bocadinho e não gosto do que estou a ver, fico desconfortável e a desejar que passe rápido, rápido porque se vai notar e eu não gosto de dar parte de fraca.
Quando penso em ter medo, o meu pior pesadelo reside na perpectiva de viver a vida em Serviço Mínimo, como nas greves. Quando começei a sonhar a vida, não era quem sou hoje que eu via. Acho que acontece com toda a gente. Fui-me adaptando, melhor ou pior. Mas não estou a cumprir O Sonho. Assim mesmo, em maiúsculas. Há sonhos pequeninos, como o andar de balão, que quero cumprir este ano. Com mais uns quantos. Elegi 2009 como o Ano do Cumprimento dos Sonhos, como há os anos do Voluntariado ou dos Refugiados. Este é o meu, criado para ser uni-pessoal e profundamente egoísta porque acho que já dei demais para o peditório das Circunstâncias da Vida.
Não quero nada que a minha vida seja aquilo que me acontece enquanto estou ocupada a fazer outras coisas. Mas é. Esta semana tem sido. A anterior também foi. E a que veio antes. O mais complicado, nisto tudo, é que é a primeira vez que ninguém me impõe nada nem tenho de fazer ajustes em prol de ninguém. Posso escolher, com toda a liberdade, para onde vou. E merda, que a treta desta descoberta é agoniante.
Em Portugal, andamos todos tristes. Ou frustrados. As nossas vidas já andavam em crise antes da crise e agora andam ainda mais. Vamos vivendo em raivas surdas e ondas de tristeza. Somos pedaçinhos de nós e está a ser dificil construirmos um todo. O Homem completo. Eu gosto do H grande aplicado às mulheres, faz-me lembrar os grandes Humanistas do Renascimento e do Iluminismo, o dia longínquo em que nos livramos da Bestialidade e nos tornamos Maiores.
Não quero ser rica. Nem construir um grande património de coisas para legar aos meus filhos. Nesta altura, até o ter filhos me parece uma miragem estranha. Nunca fui dada a comoções de maternidade e não babo quando vejo criançinhas alheias. Houve uma altura em que queria muito uma casa, alva, feita de janelas a olhar para Lisboa. Também desisti. O relacionamento mais longo da minha vida, os tais 30 ou 40 anos, não pode ser com um imóvel. Não pode. Tive mais fases, a querer mais coisas, como o pegar em mim e reconstruir-me noutro sítio qualquer. Agora, até disso deixei de ter a certeza. Quero ir e quero voltar. Quero estar e desaparecer. Não quero fazer o que faço todos os dias. Quero ser abraçada por alguém que me deseje mas não quero ter o trabalho de ter uma Relação. A palavra, nesta fase, dá-me uma espécie de nojo, como se fosse um palavrão para designar o inominável. No fundo, o que eu queria mesmo era um livrinho de instruções: Como Viver a Sua Vida em Serviços Máximos, Atulhada em Felicidade e Facilidade, As Escolhas Certas, Passo por Passo. O que eu queria, minha gente, não existe.
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Sou Marxista desde que nasci!
"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".
Karl Marx, Das Kapital, 1867
"Eu cá não vou para a cama com qualquer um..."
O Ultimo Tango em Paris (1972)
Uma das minhas grandes descobertas, nestes últimos tempos, tem sido a excelente qualidade de quem anda a escrever sobre relações e sexo, nos blogs deste país.
Pelos vistos, o solo nacional pulula de Henry Millers e Charles Bukowskis (não gosto particularmente de nenhum mas façam-me lá o obséquio, que a esta hora a minha cabeça não dá para mais) e a única pessoa que não sabia era mesmo eu.
Desde experiências pessoais escaldantes (reais?), à exposição de fantasias sexuais indecorosas passando pelos manuais educativos de como fazer o broche perfeito e quejandos, há de tudo e para todos os gostos e feitios.
Nesta viagem a camas, carros e praias alheias há um pormenor que me anda a irritar solenemente: qualquer comentadora feminina que se preze principia, inevitavelmente, o seu comentário de alcova com um singelo "eu cá não vou para a cama com qualquer um mas..." passando a debitar opiniões acertivas sobre ménages, posições acrobáticas e aquele gajo mesmo bom que comeram no banco do jardinzeco em frente a casa. Tudo ao abrigo do anonimato, claro, que não há pão para malucos.
Ora, mulherio do meu país, isto levanta-me duas grandes dúvidas existenciais (além da insinuação implicita de que elas não fazem mas há para aí muita mulher desavergonhada, uma óbvia quebra da solidariedade feminina...):
1. Afinal, com quem é que os nossos gajos andam a ter sexo?
2. E alguém conhece uma única alminha que não tenha critérios na hora H?
Quanto à primeira, por mais bifa estrangeira que alegre os dias cinzentos dos nossos machos, sempre vou ouvindo dizer (e a ser enganada, percebi agora) que não há nada que se compare às nossas pequenotas como as sardinhas, certamente para a amiga ou namorada ao lado não começar a subir paredes e lixar a noite toda ao gajo.
Relativamente à segunda e fazendo prospecção no meu universo de conhecidos (e não conhecendo, infelizmente, prestadoras/prestadores deste tipo de serviços) mesmo os promíscuos mais devassos são criteriosos. Pouco, mas são. Não me consigo lembrar, falha minha concerteza, de uma única pessoa que ande com uma etiqueta colada na testa a dizer "venham a mim que eu cá vou com todos", homem ou mulher.
Assim sendo e supondo (desculpem o abuso) que os vossos conhecidos têm práticas similares, alguém me consegue explicar qual é que é o efeito prático desta cláusula de salvaguarda nos comentários femininos?
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Zé
FIM - Mário de Sá Carneiro
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
Hoje teriam sido 28. Não comemoro contigo mas comemoro sempre, não te preocupes. Fica aqui a letra de uma das nossas músicas. Desculpa as camélias não serem de Monchique. Não tenho ido lá muito. Não é uma desculpa, é o que é, faltam vocês e a mim custa-me. Tanto que é dificil respirar.
Ainda não consegui começar a viver a minha vida como se valesse por duas mas vou tentando, só porque me pediste. Estou cansada. Não como tu mas cansada. Detesto que não me tenhas deixado responder-te. Que mania, essa, a de ter sempre a última palavra. Nos meus sonhos conversamos muito e vamos ajustando contas. Tu sabes. Contei-te sempre tudo. Quero que sejas feliz. No azul do céu, no mar cinzento de trovodas, na chuva dos dias. No nosso sítio, onde um homem triste toca saxofone de madrugada. E onde choro tudo, abraçada a ti porque não posso ir para casa com tantas lágrimas para gastar. No musgo, na terra, a saltar pedras em riachos, caçamos sapos e construimos ordens secretas onde mandamos nós. É assim que eu me lembro, maninho. Parabéns!
F*** - SE!
Está bem... façamos de conta
Mário Crespo, JN, 09.02.2009
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.
domingo, fevereiro 08, 2009
No país das maravilhas
Entrar num banco para pedir um cartão de crédito, nos dias que correm, é muito semelhante a vermo-nos no jardim da Rainha de Copas.
Esta 6ª feira, empurrada pela necessidade de alugar um carro em pátria alheia, reuni toda a minha coragem e decidi que era altura. Afinal, faço 30 este ano e já não existe o cartão do ex (nem o próprio) para resolver problemas de logística.
Expliquei, com toda a calma (garanto que tenho muita) ao senhor que me atendeu que precisava de uma coisa muito simples, que me permitisse fazer compras de livrinhos, viagens e marcação de hoteis via Net, que o cartão não iria ser utilizado muitas vezes, que não estava interessada em endividar-me até às orelhas...no meu mundo, acho que fui clara q.b.
No mundo dele e resumidos os 40 minutos em que o ouvi sem interromper, eis o que descobri:
- Podia ter um cartão Gold mas afinal não podia porque ganho menos que 2500 Euros por mês (grande novidade, mas pronto...);
- Podia ter um cartão que me desse milhas na Star Alliance, a maior companhia de viagens do mundo e viajar na Lufthansa (como repetiu 4 vezes!). Solidária com o amor pela Lufthansa e pela atrapalhação dele, decidi acrescentar "E na TAP". Teve de confirmar para depois me gritar, em triunfo "E na TAP, este é fantástico para si...". Pois, é mesmo uma pena que eu tenha queda para as low cost...
- Podia ter vários cartões associados a seguros, de que não guardo memória;
- Bom mas mesmo bom para mim, que tenho menos de 35 anos, era um que revertesse 1% das minhas compras para um PPR. Podia começar "apenas" com 25 Euros por mês mas assim fantástico era pôr lá mais de 2000 Euros por ano. Pois...
- Podia ter um cartão brutal em que gastando 500 Euros em crédito por mês ("500 Euros? mesmo que eu queira não consigo gastar 500 Euros de crédito por mês...em quê?" Nesta altura, já não podia estar mais encolhida na cadeira que, descobri subitamente, era grande demais para mim!) "Vai ver que assim que começar não vai querer parar!" ;
- Podia ter um cartão associado à prestação de acções ou à Euribor. "Não estão a descer nem nada, não é?" Silêncio. Cara fechada do outro lado. Adiante.
- Finalmente, o meu favorito de todos os tempos " Tem consciência ecológica, não tem?" Após reflexão de 2 segundos em que pensei que até me esforço, reciclo, tenho a garrafinha de água no autoclismo, desligo as luzes quando saio de uma divisão, ando de transportes sempre que possível e todos os eteceteras respondi com um singelo: Sim, acho que sim. "Então existe um perfeito para si, ligado a um fundo de emissões, reduz a sua pegada de carbono!!" Juro que esta foi nova para mim, o admirável mundo novo da ecologia a crédito...
Nesta fase, confesso que já estava exasperada. Inchei na cadeira. Enervei-me. "Acho que não me consegui explicar bem. EU NÃO COMPRO A CRÉDITO. EU sou daquelas pessoas que poupa até ter dinheiro para comprar aquilo que quer. Se não conseguir poupar, não compro! Quero 1 cartão simples. O mais simples que tiver. E pago a 100%, que não quero juros. Estamos entendidos?
É pá, gostava de conseguir descrever a cara de tristeza do homem. A sério. Compungido, ferido na alma, como se estivesse perante uma aberração: "Então, para si, se calhar o melhor é um Classic." O tom de nojo com que disse Classic convenceu-me. Se era assim tão mau, era o ideal para mim. Não tem nenhuma vantagem. Nada associado. É um mísero cartão de crédito. IUPI.
Assinada a proposta, aliviada eu, uma última tentativa: "Vai ver que se vai apaixonar de tal maneira pelo seu cartão de crédito, que vai voltar para pedir um dos outros, dos a sério. Espere até tê-lo na mão. A sua vida nunca mais vai voltar a ser a mesma..."
Saí com vontade de chorar. Aos 30, resta-me "apaixonar-me" pelo meu cartão de crédito. Definitivamente, a minha vida já não é a mesma.
sábado, fevereiro 07, 2009
d) It was destiny...
Amigos e amigas, camaradas, desconhecidos, povo do meu país:
Corram a ver este filme! Não é para amanhã nem para depois, era para ontem!
O fabuloso Slumdog Millionaire vale cada minuto das duas horas que passarem no cinema, cada cêntimo que gastarem e cada lágrima que esconderem, envergonhados...
Vale pela esperança erguida em estandarte e pela resilência orgulhosa.
Garanto que é tudo bom: o argumento, a realização, a fotografia, a banda sonora e por aí fora. Tudinho.
Dedicado aos três grandes optimistas comentadores do post anterior (Oui, C´est Moi, Pulha e Apple), a todos aqueles que não desistem nem sabem como é que isso se faz e sobretudo, a quem viu o filme comigo, o maior exemplo de persistência, coragem e gargalhadas em tempos de crise que conheço.
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