O Ultimo Tango em Paris (1972)
Uma das minhas grandes descobertas, nestes últimos tempos, tem sido a excelente qualidade de quem anda a escrever sobre relações e sexo, nos blogs deste país.
Pelos vistos, o solo nacional pulula de Henry Millers e Charles Bukowskis (não gosto particularmente de nenhum mas façam-me lá o obséquio, que a esta hora a minha cabeça não dá para mais) e a única pessoa que não sabia era mesmo eu.
Desde experiências pessoais escaldantes (reais?), à exposição de fantasias sexuais indecorosas passando pelos manuais educativos de como fazer o broche perfeito e quejandos, há de tudo e para todos os gostos e feitios.
Nesta viagem a camas, carros e praias alheias há um pormenor que me anda a irritar solenemente: qualquer comentadora feminina que se preze principia, inevitavelmente, o seu comentário de alcova com um singelo "eu cá não vou para a cama com qualquer um mas..." passando a debitar opiniões acertivas sobre ménages, posições acrobáticas e aquele gajo mesmo bom que comeram no banco do jardinzeco em frente a casa. Tudo ao abrigo do anonimato, claro, que não há pão para malucos.
Ora, mulherio do meu país, isto levanta-me duas grandes dúvidas existenciais (além da insinuação implicita de que elas não fazem mas há para aí muita mulher desavergonhada, uma óbvia quebra da solidariedade feminina...):
1. Afinal, com quem é que os nossos gajos andam a ter sexo?
2. E alguém conhece uma única alminha que não tenha critérios na hora H?
Quanto à primeira, por mais bifa estrangeira que alegre os dias cinzentos dos nossos machos, sempre vou ouvindo dizer (e a ser enganada, percebi agora) que não há nada que se compare às nossas pequenotas como as sardinhas, certamente para a amiga ou namorada ao lado não começar a subir paredes e lixar a noite toda ao gajo.
Relativamente à segunda e fazendo prospecção no meu universo de conhecidos (e não conhecendo, infelizmente, prestadoras/prestadores deste tipo de serviços) mesmo os promíscuos mais devassos são criteriosos. Pouco, mas são. Não me consigo lembrar, falha minha concerteza, de uma única pessoa que ande com uma etiqueta colada na testa a dizer "venham a mim que eu cá vou com todos", homem ou mulher.
Assim sendo e supondo (desculpem o abuso) que os vossos conhecidos têm práticas similares, alguém me consegue explicar qual é que é o efeito prático desta cláusula de salvaguarda nos comentários femininos?
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