Este é o meu balanço da season eleitoral. Três fins de semana. 1800 kms. 5 votos depositados nas urnas. 2 no Bloco, 3 no PCP. Distribuam-nos com imaginação. Mantive-me fiel ao princípio de não votar Sócrates este ano. Tenho uma tristeza imensa do meu socialismo se ter tornado nesta coisa manhosa, amorfa, corrupta, medrosa e desgraçadamente cumplice nos silêncios. Voltaria a fazer cada km, mesmo sabendo que os meus votos serviram para muito pouco. Exceptuando a subida meteórica do PP (lógica, ainda assim, porque os extremismos de direita sobem sempre em alturas de crise), o resto era relativamente expectável. Pensei que o PS se saisse um bocadinho pior mas dadas as alternativas, consigo perceber bem esta escolha. Visto que não vamos ter uma revolução nas ruas (que pena...queria tanto viver um sucedâneo do 25 de Abril), o melhor mesmo é esta solução de compromisso, que obriga a negociar, a discutir, a regatear e a alguma ginástica contorcionista de circo. A maioria absoluta é um disparate. Pedi-la é sinal de que são sumariamente incompetentes para a saudável discussão democrática. Devemos ser o único país civilizado onde se defende a ingovernabilidade sempre que há necessidade de coligações parlamentares. Não perdemos o complexo Marquês de Pombal e mantemo-nos Salazarentos e empoeirados. Praticamos a critica e a má-língua com despudor mas quando chega a altura de fazer qualquer coisa, preferimos o Chuck Norris e o sofá, o farnel e a praia, o amor livre nos bosques (acho eu, que por esta altura deve haver pouco bosque que não tenha sido reduzido a cinzas...). E isso chateia-me, caraças. Fiz 1800 kms e estou viva. Custava muito sair de casa, atravessar a rua e pôr uma cruz num papelinho?
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2 comentários:
Eu gostava mais de voltar a um 22 de maio.
A gente não faz nada, é verdade, Incluo - me. E pensa que já não há motivo para a luta. Ai já não.
Mas não consigo imaginar como lutar colocando um papelinho numa caixa. Sobre tudo quando todas as caixas contem a mesma coisa: nada.
O sistema politico é a mordaça e as algemas da sociedade. O cão fiel do sistema económico, só avança na diminuição da liberdade do povo.
P.D: Tuco Benedicto Pacifico Juan Maria. Sábio como sempre
Bom...é mais ou menos a defesa do tal princípio de que "se o voto é uma arma, mal votaste, ficaste desarmado"... Bem-vindo, camarada anarquista! :)))
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