terça-feira, abril 14, 2009

Pela liberdade de expressão

"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina"
"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina"
"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina"
Concordo e subscrevo. Por um artigo que começa assim, no Diário de Notícias, João Miguel Tavares está a ser processado pelo cidadão José Sócrates. Parte da restante comunicação social está a ser intimidada com a instauração de processos similares ou a ameaça dessa possibilidade.
Começo a achar que parte da liberdade deste país está a jogo, aqui e agora. Portanto, repetirei e reproduzirei, as vezes que forem precisas:
"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina"

domingo, março 29, 2009

O ano que passa, o ano que chega...

Old Jerusalem, Love and Cows - The Temple Bell (o video não está grande coisa mas sugere-se aos interessados que voltem ao lugar do crime, a ZDB, a 18 de Abril, às 23h)
«We fabricate the concepts but fundamentally fail to connect *
We find awkward our true feelings and give them shapes more 'politically correct'
Like when you are bored of me and you won´t take another night
Becomes “we are not communicating, something isn´t right”
Well, it is, that is just the way things are
The end of love sometimes find us sobbing in the car
I have always been a mama’s boy, I can´t cook a meal to save me
With the clothes, I don´t know what is what and my algebra betrays me
When it´s time to add up to the month’s expenses
When it came to money you were always the one wearing the pants, here
In my hands, though economically trained, money tends to disappear
But the pile of CD's grows proportionately
Same with the books on the shelves, placed like we like them carelessly.
Girl, sometimes you’re a drag, but I see now how sometimes you can´t surrender
Yes, it was me, some friends, including that girl that you don´t like to remember
We had fun, we caught the sundown at the pier
Later we went out and by then the talking made it clear
I was wrong, I might have induced a mistake
But there was nothing we could do, it was too late
I´m growing old, they tell me that my belly´s getting fat
It´s good to hear you say you don´t see it all like that
I too think that my belly is just fine
There´s something wrong with these times, people waste way too much time
Pumping iron or running ‘round in gyms
Trying desperately to keep young, to be beautiful and thin
I follow the directions as they come, I don´t do that to annoy ya
And you see today how it was then for me, since now you too have myopia
It´s not easy to wake up and see a blur
And I know that you were mad, but these things they may occur
I was careful, I just didn´t see the cow
It just broke one of it´s horns anyhow
Plus, who’d think of leaving that thing on the floor?...My arguing annoys you even more
Still, we end up making love, because when "Love & Cows" are mentioned
That thing we know inside our minds grabs hold of our attention
And our minds and bodies just sensually click
I fall between your boobs and you on my dick»
Há um amigo, destes (blogosféricos) e de outros combates, que faz anos hoje. Sei que preferia ignorar o dia, que se sente cansado e que não está a ser um ano fácil. Espero, ainda assim, que o dia lhe tenha sido leve, que tenha sentido o privilégio de estar vivo e de ir somando dias, experiências e surpresas. Espero, ainda com mais força (e que a esperança mude o mundo, pelo menos o nosso, pequenino, do quotidiano) que a passagem de mais um ano lhe traga um amor da dimensão que merece, daqueles que nos libertam e nos abrem os sentidos de par em par, dos capazes de abençoar os dias e fazer-nos sonhar com as noites...Que nos seus ombros se abram asas e que voe para onde deseja. Que conquiste o tempo e o espaço e os torne só seus, numa vida grata de coisas boas, como ele gosta. E, como está mais habituado a dar do que a receber, que este seja também o ano em que na sua direcção se estendam dádivas e se desbravem caminhos....Parabéns!
* A letra foi roubada, vilmente, daqui. Aliás, sugiro a audição no mesmo sítio.

quinta-feira, março 26, 2009

Recorrente

U2, Running to Stand Still - Rattle and Hum
Esta música viaja comigo há muitos e muitos anos. Persegue-me. Nos dias bons, consigo imaginar perfeitamente esta mulher a correr sob um céu cinzento de trovoada. Nos maus, vejo-me a mim. Esta semana sou eu toda, dentro de um espelho...

terça-feira, março 24, 2009

Big in Japan

Guano Apes, Sudoeste 2000
Ainda na 6ª feira, a minha melhor amiga falava-me deste concerto. Estivemos lá, as duas, sem nos conhecermos ainda e concordámos que representava o melhor do SW, na altura em que se comia pó com gosto, o acampamento era onde se quisesse e eram todos bem vindos, com ou sem bilhete. Se não estou em erro, houve milhares de pessoas a saltar a vedação nesta noite. O espaço, não esta coisa pavorosa que existe agora, com tendas vips e carroseis de feira, era mais pequeno e esgotou a lotação.
Esta noite sonhei que tinha ido ao Japão. Fritei. Acordei devagarinho, meio perdida, a resmungar comigo que era uma vergonha não ter dito a ninguém que ia (e agora como é que eu explico, como?), logo agora, que pus o meu mundo a mexer-se com a espectativa de outras paragens...

quarta-feira, março 18, 2009

Birkins para a Lemúria!

A Birkin da Hermes em pele de crocodilo e diamantes

O sonho de uma das minhas colegas de trabalho é ter uma malinha como a da imagem. Não necessariamente com diamantes mas preta e feita de pele de crocodilo do Nilo. Escusado será dizer (mas eu digo à mesma) que a ideia me dá a volta ao estomâgo. Até à semana passada, não sabia o que era uma Birkin (nem uma Kelly mas isso investiguem vocês). Esta semana já sei que custa no mínimo 7.500 dólares, que não se vende pela internet, que determinados modelos podem chegar a custar 1.000.000 (não, não me enganei nos zeros) de dólares e que são, geralmente, feitas de pele de animais exóticos (!?).

Também esta semana li que a AIG reservou 165 milhões de dólares, dos 170 mil milhões que os contribuintes e o governo americano ali enterraram, para pagar prémios aos administradores. Dessa gente (quantos serão?), 11 demitiram-se ontem; o conjunto de 10 deles recebeu 1/4 da reserva de bom desempenho. Parece que o Presidente dos EUA está a tentar impedir a distribuição deste justíssimo dinheiro.

Sou só eu ou está tudo parvo? Como é que o sonho de alguém pode ser andar com as chaves de casa e os cartões multibanco dentro de um animal morto? Que merda de sitio é este onde se passeia luxo cruel, capaz de alimentar tanta gente, oferecer casa e educação, saúde e futuro? Que filha da putice armaram para nem o presidente do país mais poderoso do mundo lhes conseguir mitigar a impunidade? Como é que é possível que esta gente não esteja ainda toda presa? E como é que, às orgulhosas detentoras de Birkins e afins, não lhes é exigido o dobro do valor que pagam pela mala em criar condições para a reprodução e protecção do crocodilo do Nilo, em tirar da escravatura os milhões de meninos africanos que trabalham nas minas de diamantes cartelizadas ou em fornecer condições de higiene e segurança, horários e salários condignos às meninas das sweat shops asiáticas que lhes cosem as malinhas?

terça-feira, março 17, 2009

Os que vão...

Não sei se convosco é a mesma coisa mas, desde o principio do ano, já foram duas amigas embora, trabalhar para Bruxelas. Esta semana parte a terceira, para o norte de Inglaterra. Vou despedir-me esta noite. Os meus amigos, família, conhecidos, foram partindo por vagas. Alguns já voltaram, como é o caso da amizade mais longa e constante da minha vida (celebrámos 29 anos a semana passada, porque o nosso foi um caso de amor ao primeiro olhar). Vão porque conseguem ganhar mais dinheiro, porque são reconhecidos naquilo que fazem, porque reencontraram um grande amor lá fora e não podem esperar nem mais um segundo para vivê-lo. Vão porque há cada vez menos para quem fica. Com crise ou sem ela, este país trata mal quem deveria tratar bem: os grandes profissionais, as pessoas excepcionais, os mais qualificados do que a maioria. Porque em vez de ter muita vontade de aprender, o vizinho do lado fica fodido porque lemos mais do que a média anual de um único livro (vou torcendo, pelo menos, para este ser muito bom...).
Há uma frase, que eu vou ouvindo de tempos a tempos, repetida essencialmente por quem nunca viveu fora de Portugal: que podemos fugir, sim senhor, mas que os nossos problemas, dúvidas e conflitos viajam connosco. É mentira. Ou uma verdade relativa, se quiserem. Alguma coisa, irá. Mas uma parte significativa das coisas má fica cá, porque é cá que elas vivem e não dentro de nós. O rever um ex namorado ou um ex qualquer coisa, o ir todos os dias fazer um trabalho que nos consome, a falta de amigos que nos percebam, tudo isso pode desaparecer num ápice, basta entrar no avião. Temos tempo e espaço para nos reinventarmos em alguém de quem gostamos mais, ganhamos a capacidade de perceber que respiramos bem fora do aquário, encontramos muitas vidas sem nunca perdermos a nossa e quem cá fica.
Assim, enquanto também eu tento organizar a vida para desaparecer uns anos, passar à clandestinidade numa cidade europeia qualquer, sugiro veementemente aos meus amigos que "desabelhem". É que, quem me conhece bem, sabe que eu trabalho para comprar 3 coisas: cigarros, livros e viagens. E não sei se consigo esperar até Maio para apanhar o próximo avião...

domingo, março 15, 2009

Vidas Rejeitadas

Esta semana demiti-me de cá vir. Tomei decisões importantes e achei que, se viesse racionaliza-las, provavelmente teria dúvidas. Tenho dúvidas à mesma, claro mas, ao contrário de muita gente, são as escolhas impulsivas (ou a capacidade de mudar a minha vida em 10 minutos) que me trazem alguma paz.
Eu costumo pensar bastante em tudo: rebobino conversas na cabeça, peso prós e contras, analiso as hipóteses todas. Depois, nada. Entrego o coração ao vento e venha o que vier. Parece estupidez crónica mas não é bem isso. No exacto instante em que a alma me sai pela boca, assumo na cabeça todas as consequências do que acabei de despejar. Sou anti-lodo e anti-marinanços. O imobilismo consome-me. Tenho de decidir e é com urgência.
Agora, já está. Escolhi uma parte importante do resto da minha vida. Rejeitei todas as vidas que poderia vir a ter, intermédias ou complementares desta. Acho que me escolhi a mim mas não tenho a certeza absoluta. Não tenho conselhos para quem está em encruzilhadas. Como no filme, o perder ou entrar no comboio fazem toda a diferença. São vidas inteiras que perdemos e vidas inteiras que ganhamos. E assim o pior, quando me ponho a pensar nisso, o pior mesmo, é que vamos todos morrer sem nunca saber qual teria sido a "certa"...

domingo, março 08, 2009

No dia da gaja não há flores...

Joan Baez, Where Have all the Flowers Gone

Assumindo que o meu futuro é capaz de não ser o lesbianismo (se calhar até é mas é melhor ir pensando positivo), mesmo assim, gosto de mulheres pouco convencionais. E, justiça seja feita, a grande maioria das mulheres que me rodeiam são criaturas fantásticas. Independentes, corajosas, inteligentes (algumas muito espertas também), sofridas, divertidas, sensatas, ambiciosas, capazes de levarem o mundo à frente. São competentes naquilo que fazem, solidárias com os outros, decididas e altruístas. Sim, algumas têm momentos de futilidade de me fazer ter vontade de roer as unhas (coisa que eu não faço desde os 6 aninhos, altura em que a minha mãe me explicou, com efeito bombástico para o futuro, que as unhas continuavam a crescer dentro da barriga - haja criança crédula!)...e sim, senhor, algumas também perdem o norte quando apaixonadas e tornam-se num urso pardo bem diferente da amiga-koala fofinha que nós conhecíamos. Tirando isso, a verdadeira amizade entre mulheres é um bem raro e poderoso. O grau de intimidade, sintonia e incondicionalidade é de tal ordem que coitadinhos daqueles que se lembrarem de vir interromper. E, ao contrário daquilo que as pessoas pensam, não dura uma vida. Dura as várias vidas que vamos tendo e as várias pessoas que vamos sendo.
(Continuo a achar que é mais fácil ter amigos homens neste mundo. Dos meus muy simpáticos e desarmantes amigos do sexo masculino ouvi coisas tão doces como "já mostravas essas pernas, não?" (a moi, que tenho uma tara anti saias...) ou "era altura de dar um corte a essa trunfa" (o meu amigo J.A., que todos anos partilha a sua preocupação capilar comigo) ou ainda "era melhor usares um soutien, que o aerodinamismo destas cenas não dura para sempre" (o meu amigo R., em Coimbra). Pronto, com amigos gajos ouve-se sempre o que se quer e o que não se quer mesmo nada ouvir.)

A música é para a minha grande amiga S., onde quer que esteja. Em Lisboa, Bruxelas ou a vadiar pelo mundo. As flores que encontrar, serão para ti. Parabéns, miúda!

Génios económicos somos tu e eu...

The Daily Show with Jon Stewart
Chamaram-lhe um Tributo ao Canal de Negócios da América...

sexta-feira, março 06, 2009

A viagem é um Judeu Errante, nunca morto, nunca vivo, a caminhar até ao final dos tempos...

Bon Iver, Skinny Love in For Emma, Forever Ago
Esta semana, cortesia de uma das pessoas que mais gostei de conhecer este ano, aterraram na minha vida as palavras deste homem. Assim, do nada, a caminho de um comboio que nos iria levar a Lisboa. "Gravei-te uma coisa, acho que vais gostar". Então não, digo eu agora, atormentada por esta voz.
A vida é uma varinha mágica, não daquelas com que se tritura a sopa mas das outras, daquelas que enfeitiçam os momentos. Um (ou O) vasto mar de sargaços, livro também desta semana. Simultaneamente vazia e cheia. Há quem procure reconhecimento. Quem queira ser imensamente rico. Quem deseje ser amado. Quem construa castelos de coisa nenhuma e quem vá sonhando com aquilo que nunca terá. Há quem viva no excesso e quem aspire ao despojamento. Quem se perca e quem se encontre.
Há ainda quem, como nós P., embaladas pelo Zeca em estradas com precipícios e amendoeiras em flor, perdidas mas nunca muito, consiga admirar e partilhar a felicidade de quem encontrou um amor real. E achar que, mesmo que esse nunca venha, que nunca o encontremos, que nunca saibamos o que fazer com ele, calcorrearemos o mundo sem desistir. Porque o mais importante, há-de ser sempre a viagem.

quinta-feira, março 05, 2009

Lei da Maria

Aqui na imagem, a grande Nancy Botwin
Não me chocava nada se legalizassem as drogas todas. Também não me faz grande diferença se continuar tudo na mesma santa hipocrisia .
Como nunca tentei enfiar um risco de coca nariz acima ou pastilhar-me como se não houvesse amanhã, não faço ideia se ando a perder alguma coisa de jeito. O que não é verdade em relação à Mariazinha. Aí, a música a tocar deveria ser outra. Porque não está provado que seja pior que um cigarro, vinho, café ou chocolates. Porque é aditivo q.b., ou seja, não mais do que qualquer dos vícios citados. Porque tem comprovadas vantagens terapêuticas, quer na mitigação da dor, quer como calmante/relaxante. E, sobretudo, porque ninguém neste mundo tem nada a ver com as escolhas dos outros, desde que não firam a liberdade de cada um.
Se eu mandasse, saía uma lei assim:
Artigo 1º
É proibido comprar e vender cannabis.
Artigo 2º
São permitidos o cultivo doméstico e o consumo.
Artigo 3º
Recomenda-se a partilha. Fim da lei. Ponto final, parágrafo.
E pronto. Nada de coffe shops nem turismo ligado à coisa, incentivava-se a jardinagem como hobby para as camadas mais e menos jovens, deixávamos os traficantes um bocado abananados. E nós, que gostamos de erva, poderíamos passar a levar o nosso saquinho para jantares em casas alheias "prova lá da minha, que este ano a colheita é perfeita" ou oferecer como prenda de anos ou só porque sim "toma lá, pá, que eu provei a tua mistela e ninguém merece" ou ainda, visitar os vizinhos de cima e dizer com toda a naturalidade "dá-me um bocadinho da sua? prá semana devolvo", como se fosse o raminho de salsa, com o qual fui honrada, aqui.

quarta-feira, março 04, 2009

Ave de mau agoiro

Frank Carlucci

Este homem aparece hoje, num mini artigo de 3 parágrafos no Público, onde realmente não se diz nada. Nada excepto que, em 2007, Oliveira e Costa queria vender 50% da SLN à empresa desta pequena criatura e a "investidores angolanos". Esta pequena criatura também é dona do Freeport. E esteve envolvida com os negócios manhosos do Albarran, de que não guardo grande memória, a não ser que se pirou para qualquer lado mais agradável, onde não o chateassem.

Carlucci é uma sombra agoirenta a pairar neste país. Oiço falar dele desde pequena. Carlucci e a CIA. Carlucci no pós 25 de Abril. A FLAD. Os negócios. Não há nenhuma grande escandaleira democrática, nestes quase 35 anos desde 74, em que não venha à baila. Aliás, minto. Parece ter algum distanciamento dos casos de corrupção no futebol e nos que envolvem camas, "frutas" e criançinhas. De resto, lá está ele, "alapado" a Portugal, que nenhum sítio do mundo parece propiciar-lhe tantas alegrias. Haja alguém com tomates para investigá-lo. Please. Alguém que perca a vergonha de incomodar o turista que está de passagem e lhe diga que as regras do país são outras. Alguém que não deixe morrer o homem, já de si velhinho, com um epitáfio de "grande amigo da nação, dos portugueses e portuguesas, de alguém a quem devemos tudo", coroado com uma qualquer comenda póstuma. É pedir muito, é?

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Democracia de Alcova

É importante que haja gente disposta a ir para a cama com outra gente. É importante manter o desígnio e o rumo da Dr.ª MFL e procriarmos muito, que é a única utilidade óbvia do sexo. As criaturas do vídeo estão cá para lhe dar razão. Comeram-se há nove meses, quando ele tinha 12 aninhos (nem quero imaginar quão mais minorca devia parecer) e ela 14. Aliás, ela, a Chantelle Steadman, esforçou-se de tal maneira que andou a papar oito - sim, 8 - ao mesmo tempo. Parece que não é má língua e há outros candidatos a perfilhar a criancinha (agora, se fosse má, podia perguntar qual delas, mas como não sou...). Ora, eu estou indignada! Primeiro, porque tendo o dobro da idade da Chantelle, ainda não consegui comer 8 homens nesta vida. Segundo, porque tendo uma fotografia tão gira no perfil, já devia estar na altura de eles me caírem do céu em barda. E terceiro e último, para não saturar ninguém, não seria altura dos pais desta gente toda levantarem os dignissimos rabos do sofá e ensinarem-lhes alguma coisa?

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Serviços Mínimos

Tenho alguns medos na vida. Não são muitos e nenhum é paralisante. Quanto muito, o coração dispara um bocadinho e não gosto do que estou a ver, fico desconfortável e a desejar que passe rápido, rápido porque se vai notar e eu não gosto de dar parte de fraca.
Quando penso em ter medo, o meu pior pesadelo reside na perpectiva de viver a vida em Serviço Mínimo, como nas greves. Quando começei a sonhar a vida, não era quem sou hoje que eu via. Acho que acontece com toda a gente. Fui-me adaptando, melhor ou pior. Mas não estou a cumprir O Sonho. Assim mesmo, em maiúsculas. Há sonhos pequeninos, como o andar de balão, que quero cumprir este ano. Com mais uns quantos. Elegi 2009 como o Ano do Cumprimento dos Sonhos, como há os anos do Voluntariado ou dos Refugiados. Este é o meu, criado para ser uni-pessoal e profundamente egoísta porque acho que já dei demais para o peditório das Circunstâncias da Vida.
Não quero nada que a minha vida seja aquilo que me acontece enquanto estou ocupada a fazer outras coisas. Mas é. Esta semana tem sido. A anterior também foi. E a que veio antes. O mais complicado, nisto tudo, é que é a primeira vez que ninguém me impõe nada nem tenho de fazer ajustes em prol de ninguém. Posso escolher, com toda a liberdade, para onde vou. E merda, que a treta desta descoberta é agoniante.
Em Portugal, andamos todos tristes. Ou frustrados. As nossas vidas já andavam em crise antes da crise e agora andam ainda mais. Vamos vivendo em raivas surdas e ondas de tristeza. Somos pedaçinhos de nós e está a ser dificil construirmos um todo. O Homem completo. Eu gosto do H grande aplicado às mulheres, faz-me lembrar os grandes Humanistas do Renascimento e do Iluminismo, o dia longínquo em que nos livramos da Bestialidade e nos tornamos Maiores.
Não quero ser rica. Nem construir um grande património de coisas para legar aos meus filhos. Nesta altura, até o ter filhos me parece uma miragem estranha. Nunca fui dada a comoções de maternidade e não babo quando vejo criançinhas alheias. Houve uma altura em que queria muito uma casa, alva, feita de janelas a olhar para Lisboa. Também desisti. O relacionamento mais longo da minha vida, os tais 30 ou 40 anos, não pode ser com um imóvel. Não pode. Tive mais fases, a querer mais coisas, como o pegar em mim e reconstruir-me noutro sítio qualquer. Agora, até disso deixei de ter a certeza. Quero ir e quero voltar. Quero estar e desaparecer. Não quero fazer o que faço todos os dias. Quero ser abraçada por alguém que me deseje mas não quero ter o trabalho de ter uma Relação. A palavra, nesta fase, dá-me uma espécie de nojo, como se fosse um palavrão para designar o inominável. No fundo, o que eu queria mesmo era um livrinho de instruções: Como Viver a Sua Vida em Serviços Máximos, Atulhada em Felicidade e Facilidade, As Escolhas Certas, Passo por Passo. O que eu queria, minha gente, não existe.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Sou Marxista desde que nasci!

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado". Karl Marx, Das Kapital, 1867

"Eu cá não vou para a cama com qualquer um..."

O Ultimo Tango em Paris (1972)
Uma das minhas grandes descobertas, nestes últimos tempos, tem sido a excelente qualidade de quem anda a escrever sobre relações e sexo, nos blogs deste país.
Pelos vistos, o solo nacional pulula de Henry Millers e Charles Bukowskis (não gosto particularmente de nenhum mas façam-me lá o obséquio, que a esta hora a minha cabeça não dá para mais) e a única pessoa que não sabia era mesmo eu.
Desde experiências pessoais escaldantes (reais?), à exposição de fantasias sexuais indecorosas passando pelos manuais educativos de como fazer o broche perfeito e quejandos, há de tudo e para todos os gostos e feitios.
Nesta viagem a camas, carros e praias alheias há um pormenor que me anda a irritar solenemente: qualquer comentadora feminina que se preze principia, inevitavelmente, o seu comentário de alcova com um singelo "eu cá não vou para a cama com qualquer um mas..." passando a debitar opiniões acertivas sobre ménages, posições acrobáticas e aquele gajo mesmo bom que comeram no banco do jardinzeco em frente a casa. Tudo ao abrigo do anonimato, claro, que não há pão para malucos.
Ora, mulherio do meu país, isto levanta-me duas grandes dúvidas existenciais (além da insinuação implicita de que elas não fazem mas há para aí muita mulher desavergonhada, uma óbvia quebra da solidariedade feminina...):
1. Afinal, com quem é que os nossos gajos andam a ter sexo?
2. E alguém conhece uma única alminha que não tenha critérios na hora H?
Quanto à primeira, por mais bifa estrangeira que alegre os dias cinzentos dos nossos machos, sempre vou ouvindo dizer (e a ser enganada, percebi agora) que não há nada que se compare às nossas pequenotas como as sardinhas, certamente para a amiga ou namorada ao lado não começar a subir paredes e lixar a noite toda ao gajo.
Relativamente à segunda e fazendo prospecção no meu universo de conhecidos (e não conhecendo, infelizmente, prestadoras/prestadores deste tipo de serviços) mesmo os promíscuos mais devassos são criteriosos. Pouco, mas são. Não me consigo lembrar, falha minha concerteza, de uma única pessoa que ande com uma etiqueta colada na testa a dizer "venham a mim que eu cá vou com todos", homem ou mulher.
Assim sendo e supondo (desculpem o abuso) que os vossos conhecidos têm práticas similares, alguém me consegue explicar qual é que é o efeito prático desta cláusula de salvaguarda nos comentários femininos?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

FIM - Mário de Sá Carneiro
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
Hoje teriam sido 28. Não comemoro contigo mas comemoro sempre, não te preocupes. Fica aqui a letra de uma das nossas músicas. Desculpa as camélias não serem de Monchique. Não tenho ido lá muito. Não é uma desculpa, é o que é, faltam vocês e a mim custa-me. Tanto que é dificil respirar.
Ainda não consegui começar a viver a minha vida como se valesse por duas mas vou tentando, só porque me pediste. Estou cansada. Não como tu mas cansada. Detesto que não me tenhas deixado responder-te. Que mania, essa, a de ter sempre a última palavra. Nos meus sonhos conversamos muito e vamos ajustando contas. Tu sabes. Contei-te sempre tudo. Quero que sejas feliz. No azul do céu, no mar cinzento de trovodas, na chuva dos dias. No nosso sítio, onde um homem triste toca saxofone de madrugada. E onde choro tudo, abraçada a ti porque não posso ir para casa com tantas lágrimas para gastar. No musgo, na terra, a saltar pedras em riachos, caçamos sapos e construimos ordens secretas onde mandamos nós. É assim que eu me lembro, maninho. Parabéns!

F*** - SE!

Está bem... façamos de conta Mário Crespo, JN, 09.02.2009
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo. Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

domingo, fevereiro 08, 2009

No país das maravilhas

Entrar num banco para pedir um cartão de crédito, nos dias que correm, é muito semelhante a vermo-nos no jardim da Rainha de Copas.
Esta 6ª feira, empurrada pela necessidade de alugar um carro em pátria alheia, reuni toda a minha coragem e decidi que era altura. Afinal, faço 30 este ano e já não existe o cartão do ex (nem o próprio) para resolver problemas de logística.
Expliquei, com toda a calma (garanto que tenho muita) ao senhor que me atendeu que precisava de uma coisa muito simples, que me permitisse fazer compras de livrinhos, viagens e marcação de hoteis via Net, que o cartão não iria ser utilizado muitas vezes, que não estava interessada em endividar-me até às orelhas...no meu mundo, acho que fui clara q.b.
No mundo dele e resumidos os 40 minutos em que o ouvi sem interromper, eis o que descobri:
- Podia ter um cartão Gold mas afinal não podia porque ganho menos que 2500 Euros por mês (grande novidade, mas pronto...);
- Podia ter um cartão que me desse milhas na Star Alliance, a maior companhia de viagens do mundo e viajar na Lufthansa (como repetiu 4 vezes!). Solidária com o amor pela Lufthansa e pela atrapalhação dele, decidi acrescentar "E na TAP". Teve de confirmar para depois me gritar, em triunfo "E na TAP, este é fantástico para si...". Pois, é mesmo uma pena que eu tenha queda para as low cost...
- Podia ter vários cartões associados a seguros, de que não guardo memória;
- Bom mas mesmo bom para mim, que tenho menos de 35 anos, era um que revertesse 1% das minhas compras para um PPR. Podia começar "apenas" com 25 Euros por mês mas assim fantástico era pôr lá mais de 2000 Euros por ano. Pois...
- Podia ter um cartão brutal em que gastando 500 Euros em crédito por mês ("500 Euros? mesmo que eu queira não consigo gastar 500 Euros de crédito por mês...em quê?" Nesta altura, já não podia estar mais encolhida na cadeira que, descobri subitamente, era grande demais para mim!) "Vai ver que assim que começar não vai querer parar!" ;
- Podia ter um cartão associado à prestação de acções ou à Euribor. "Não estão a descer nem nada, não é?" Silêncio. Cara fechada do outro lado. Adiante.
- Finalmente, o meu favorito de todos os tempos " Tem consciência ecológica, não tem?" Após reflexão de 2 segundos em que pensei que até me esforço, reciclo, tenho a garrafinha de água no autoclismo, desligo as luzes quando saio de uma divisão, ando de transportes sempre que possível e todos os eteceteras respondi com um singelo: Sim, acho que sim. "Então existe um perfeito para si, ligado a um fundo de emissões, reduz a sua pegada de carbono!!" Juro que esta foi nova para mim, o admirável mundo novo da ecologia a crédito...
Nesta fase, confesso que já estava exasperada. Inchei na cadeira. Enervei-me. "Acho que não me consegui explicar bem. EU NÃO COMPRO A CRÉDITO. EU sou daquelas pessoas que poupa até ter dinheiro para comprar aquilo que quer. Se não conseguir poupar, não compro! Quero 1 cartão simples. O mais simples que tiver. E pago a 100%, que não quero juros. Estamos entendidos?
É pá, gostava de conseguir descrever a cara de tristeza do homem. A sério. Compungido, ferido na alma, como se estivesse perante uma aberração: "Então, para si, se calhar o melhor é um Classic." O tom de nojo com que disse Classic convenceu-me. Se era assim tão mau, era o ideal para mim. Não tem nenhuma vantagem. Nada associado. É um mísero cartão de crédito. IUPI.
Assinada a proposta, aliviada eu, uma última tentativa: "Vai ver que se vai apaixonar de tal maneira pelo seu cartão de crédito, que vai voltar para pedir um dos outros, dos a sério. Espere até tê-lo na mão. A sua vida nunca mais vai voltar a ser a mesma..."
Saí com vontade de chorar. Aos 30, resta-me "apaixonar-me" pelo meu cartão de crédito. Definitivamente, a minha vida já não é a mesma.

sábado, fevereiro 07, 2009

d) It was destiny...

Amigos e amigas, camaradas, desconhecidos, povo do meu país:
Corram a ver este filme! Não é para amanhã nem para depois, era para ontem!
O fabuloso Slumdog Millionaire vale cada minuto das duas horas que passarem no cinema, cada cêntimo que gastarem e cada lágrima que esconderem, envergonhados...
Vale pela esperança erguida em estandarte e pela resilência orgulhosa.
Garanto que é tudo bom: o argumento, a realização, a fotografia, a banda sonora e por aí fora. Tudinho.
Dedicado aos três grandes optimistas comentadores do post anterior (Oui, C´est Moi, Pulha e Apple), a todos aqueles que não desistem nem sabem como é que isso se faz e sobretudo, a quem viu o filme comigo, o maior exemplo de persistência, coragem e gargalhadas em tempos de crise que conheço.