quarta-feira, março 04, 2009

Ave de mau agoiro

Frank Carlucci

Este homem aparece hoje, num mini artigo de 3 parágrafos no Público, onde realmente não se diz nada. Nada excepto que, em 2007, Oliveira e Costa queria vender 50% da SLN à empresa desta pequena criatura e a "investidores angolanos". Esta pequena criatura também é dona do Freeport. E esteve envolvida com os negócios manhosos do Albarran, de que não guardo grande memória, a não ser que se pirou para qualquer lado mais agradável, onde não o chateassem.

Carlucci é uma sombra agoirenta a pairar neste país. Oiço falar dele desde pequena. Carlucci e a CIA. Carlucci no pós 25 de Abril. A FLAD. Os negócios. Não há nenhuma grande escandaleira democrática, nestes quase 35 anos desde 74, em que não venha à baila. Aliás, minto. Parece ter algum distanciamento dos casos de corrupção no futebol e nos que envolvem camas, "frutas" e criançinhas. De resto, lá está ele, "alapado" a Portugal, que nenhum sítio do mundo parece propiciar-lhe tantas alegrias. Haja alguém com tomates para investigá-lo. Please. Alguém que perca a vergonha de incomodar o turista que está de passagem e lhe diga que as regras do país são outras. Alguém que não deixe morrer o homem, já de si velhinho, com um epitáfio de "grande amigo da nação, dos portugueses e portuguesas, de alguém a quem devemos tudo", coroado com uma qualquer comenda póstuma. É pedir muito, é?

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Democracia de Alcova

É importante que haja gente disposta a ir para a cama com outra gente. É importante manter o desígnio e o rumo da Dr.ª MFL e procriarmos muito, que é a única utilidade óbvia do sexo. As criaturas do vídeo estão cá para lhe dar razão. Comeram-se há nove meses, quando ele tinha 12 aninhos (nem quero imaginar quão mais minorca devia parecer) e ela 14. Aliás, ela, a Chantelle Steadman, esforçou-se de tal maneira que andou a papar oito - sim, 8 - ao mesmo tempo. Parece que não é má língua e há outros candidatos a perfilhar a criancinha (agora, se fosse má, podia perguntar qual delas, mas como não sou...). Ora, eu estou indignada! Primeiro, porque tendo o dobro da idade da Chantelle, ainda não consegui comer 8 homens nesta vida. Segundo, porque tendo uma fotografia tão gira no perfil, já devia estar na altura de eles me caírem do céu em barda. E terceiro e último, para não saturar ninguém, não seria altura dos pais desta gente toda levantarem os dignissimos rabos do sofá e ensinarem-lhes alguma coisa?

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Serviços Mínimos

Tenho alguns medos na vida. Não são muitos e nenhum é paralisante. Quanto muito, o coração dispara um bocadinho e não gosto do que estou a ver, fico desconfortável e a desejar que passe rápido, rápido porque se vai notar e eu não gosto de dar parte de fraca.
Quando penso em ter medo, o meu pior pesadelo reside na perpectiva de viver a vida em Serviço Mínimo, como nas greves. Quando começei a sonhar a vida, não era quem sou hoje que eu via. Acho que acontece com toda a gente. Fui-me adaptando, melhor ou pior. Mas não estou a cumprir O Sonho. Assim mesmo, em maiúsculas. Há sonhos pequeninos, como o andar de balão, que quero cumprir este ano. Com mais uns quantos. Elegi 2009 como o Ano do Cumprimento dos Sonhos, como há os anos do Voluntariado ou dos Refugiados. Este é o meu, criado para ser uni-pessoal e profundamente egoísta porque acho que já dei demais para o peditório das Circunstâncias da Vida.
Não quero nada que a minha vida seja aquilo que me acontece enquanto estou ocupada a fazer outras coisas. Mas é. Esta semana tem sido. A anterior também foi. E a que veio antes. O mais complicado, nisto tudo, é que é a primeira vez que ninguém me impõe nada nem tenho de fazer ajustes em prol de ninguém. Posso escolher, com toda a liberdade, para onde vou. E merda, que a treta desta descoberta é agoniante.
Em Portugal, andamos todos tristes. Ou frustrados. As nossas vidas já andavam em crise antes da crise e agora andam ainda mais. Vamos vivendo em raivas surdas e ondas de tristeza. Somos pedaçinhos de nós e está a ser dificil construirmos um todo. O Homem completo. Eu gosto do H grande aplicado às mulheres, faz-me lembrar os grandes Humanistas do Renascimento e do Iluminismo, o dia longínquo em que nos livramos da Bestialidade e nos tornamos Maiores.
Não quero ser rica. Nem construir um grande património de coisas para legar aos meus filhos. Nesta altura, até o ter filhos me parece uma miragem estranha. Nunca fui dada a comoções de maternidade e não babo quando vejo criançinhas alheias. Houve uma altura em que queria muito uma casa, alva, feita de janelas a olhar para Lisboa. Também desisti. O relacionamento mais longo da minha vida, os tais 30 ou 40 anos, não pode ser com um imóvel. Não pode. Tive mais fases, a querer mais coisas, como o pegar em mim e reconstruir-me noutro sítio qualquer. Agora, até disso deixei de ter a certeza. Quero ir e quero voltar. Quero estar e desaparecer. Não quero fazer o que faço todos os dias. Quero ser abraçada por alguém que me deseje mas não quero ter o trabalho de ter uma Relação. A palavra, nesta fase, dá-me uma espécie de nojo, como se fosse um palavrão para designar o inominável. No fundo, o que eu queria mesmo era um livrinho de instruções: Como Viver a Sua Vida em Serviços Máximos, Atulhada em Felicidade e Facilidade, As Escolhas Certas, Passo por Passo. O que eu queria, minha gente, não existe.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Sou Marxista desde que nasci!

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado". Karl Marx, Das Kapital, 1867

"Eu cá não vou para a cama com qualquer um..."

O Ultimo Tango em Paris (1972)
Uma das minhas grandes descobertas, nestes últimos tempos, tem sido a excelente qualidade de quem anda a escrever sobre relações e sexo, nos blogs deste país.
Pelos vistos, o solo nacional pulula de Henry Millers e Charles Bukowskis (não gosto particularmente de nenhum mas façam-me lá o obséquio, que a esta hora a minha cabeça não dá para mais) e a única pessoa que não sabia era mesmo eu.
Desde experiências pessoais escaldantes (reais?), à exposição de fantasias sexuais indecorosas passando pelos manuais educativos de como fazer o broche perfeito e quejandos, há de tudo e para todos os gostos e feitios.
Nesta viagem a camas, carros e praias alheias há um pormenor que me anda a irritar solenemente: qualquer comentadora feminina que se preze principia, inevitavelmente, o seu comentário de alcova com um singelo "eu cá não vou para a cama com qualquer um mas..." passando a debitar opiniões acertivas sobre ménages, posições acrobáticas e aquele gajo mesmo bom que comeram no banco do jardinzeco em frente a casa. Tudo ao abrigo do anonimato, claro, que não há pão para malucos.
Ora, mulherio do meu país, isto levanta-me duas grandes dúvidas existenciais (além da insinuação implicita de que elas não fazem mas há para aí muita mulher desavergonhada, uma óbvia quebra da solidariedade feminina...):
1. Afinal, com quem é que os nossos gajos andam a ter sexo?
2. E alguém conhece uma única alminha que não tenha critérios na hora H?
Quanto à primeira, por mais bifa estrangeira que alegre os dias cinzentos dos nossos machos, sempre vou ouvindo dizer (e a ser enganada, percebi agora) que não há nada que se compare às nossas pequenotas como as sardinhas, certamente para a amiga ou namorada ao lado não começar a subir paredes e lixar a noite toda ao gajo.
Relativamente à segunda e fazendo prospecção no meu universo de conhecidos (e não conhecendo, infelizmente, prestadoras/prestadores deste tipo de serviços) mesmo os promíscuos mais devassos são criteriosos. Pouco, mas são. Não me consigo lembrar, falha minha concerteza, de uma única pessoa que ande com uma etiqueta colada na testa a dizer "venham a mim que eu cá vou com todos", homem ou mulher.
Assim sendo e supondo (desculpem o abuso) que os vossos conhecidos têm práticas similares, alguém me consegue explicar qual é que é o efeito prático desta cláusula de salvaguarda nos comentários femininos?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

FIM - Mário de Sá Carneiro
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
Hoje teriam sido 28. Não comemoro contigo mas comemoro sempre, não te preocupes. Fica aqui a letra de uma das nossas músicas. Desculpa as camélias não serem de Monchique. Não tenho ido lá muito. Não é uma desculpa, é o que é, faltam vocês e a mim custa-me. Tanto que é dificil respirar.
Ainda não consegui começar a viver a minha vida como se valesse por duas mas vou tentando, só porque me pediste. Estou cansada. Não como tu mas cansada. Detesto que não me tenhas deixado responder-te. Que mania, essa, a de ter sempre a última palavra. Nos meus sonhos conversamos muito e vamos ajustando contas. Tu sabes. Contei-te sempre tudo. Quero que sejas feliz. No azul do céu, no mar cinzento de trovodas, na chuva dos dias. No nosso sítio, onde um homem triste toca saxofone de madrugada. E onde choro tudo, abraçada a ti porque não posso ir para casa com tantas lágrimas para gastar. No musgo, na terra, a saltar pedras em riachos, caçamos sapos e construimos ordens secretas onde mandamos nós. É assim que eu me lembro, maninho. Parabéns!

F*** - SE!

Está bem... façamos de conta Mário Crespo, JN, 09.02.2009
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo. Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

domingo, fevereiro 08, 2009

No país das maravilhas

Entrar num banco para pedir um cartão de crédito, nos dias que correm, é muito semelhante a vermo-nos no jardim da Rainha de Copas.
Esta 6ª feira, empurrada pela necessidade de alugar um carro em pátria alheia, reuni toda a minha coragem e decidi que era altura. Afinal, faço 30 este ano e já não existe o cartão do ex (nem o próprio) para resolver problemas de logística.
Expliquei, com toda a calma (garanto que tenho muita) ao senhor que me atendeu que precisava de uma coisa muito simples, que me permitisse fazer compras de livrinhos, viagens e marcação de hoteis via Net, que o cartão não iria ser utilizado muitas vezes, que não estava interessada em endividar-me até às orelhas...no meu mundo, acho que fui clara q.b.
No mundo dele e resumidos os 40 minutos em que o ouvi sem interromper, eis o que descobri:
- Podia ter um cartão Gold mas afinal não podia porque ganho menos que 2500 Euros por mês (grande novidade, mas pronto...);
- Podia ter um cartão que me desse milhas na Star Alliance, a maior companhia de viagens do mundo e viajar na Lufthansa (como repetiu 4 vezes!). Solidária com o amor pela Lufthansa e pela atrapalhação dele, decidi acrescentar "E na TAP". Teve de confirmar para depois me gritar, em triunfo "E na TAP, este é fantástico para si...". Pois, é mesmo uma pena que eu tenha queda para as low cost...
- Podia ter vários cartões associados a seguros, de que não guardo memória;
- Bom mas mesmo bom para mim, que tenho menos de 35 anos, era um que revertesse 1% das minhas compras para um PPR. Podia começar "apenas" com 25 Euros por mês mas assim fantástico era pôr lá mais de 2000 Euros por ano. Pois...
- Podia ter um cartão brutal em que gastando 500 Euros em crédito por mês ("500 Euros? mesmo que eu queira não consigo gastar 500 Euros de crédito por mês...em quê?" Nesta altura, já não podia estar mais encolhida na cadeira que, descobri subitamente, era grande demais para mim!) "Vai ver que assim que começar não vai querer parar!" ;
- Podia ter um cartão associado à prestação de acções ou à Euribor. "Não estão a descer nem nada, não é?" Silêncio. Cara fechada do outro lado. Adiante.
- Finalmente, o meu favorito de todos os tempos " Tem consciência ecológica, não tem?" Após reflexão de 2 segundos em que pensei que até me esforço, reciclo, tenho a garrafinha de água no autoclismo, desligo as luzes quando saio de uma divisão, ando de transportes sempre que possível e todos os eteceteras respondi com um singelo: Sim, acho que sim. "Então existe um perfeito para si, ligado a um fundo de emissões, reduz a sua pegada de carbono!!" Juro que esta foi nova para mim, o admirável mundo novo da ecologia a crédito...
Nesta fase, confesso que já estava exasperada. Inchei na cadeira. Enervei-me. "Acho que não me consegui explicar bem. EU NÃO COMPRO A CRÉDITO. EU sou daquelas pessoas que poupa até ter dinheiro para comprar aquilo que quer. Se não conseguir poupar, não compro! Quero 1 cartão simples. O mais simples que tiver. E pago a 100%, que não quero juros. Estamos entendidos?
É pá, gostava de conseguir descrever a cara de tristeza do homem. A sério. Compungido, ferido na alma, como se estivesse perante uma aberração: "Então, para si, se calhar o melhor é um Classic." O tom de nojo com que disse Classic convenceu-me. Se era assim tão mau, era o ideal para mim. Não tem nenhuma vantagem. Nada associado. É um mísero cartão de crédito. IUPI.
Assinada a proposta, aliviada eu, uma última tentativa: "Vai ver que se vai apaixonar de tal maneira pelo seu cartão de crédito, que vai voltar para pedir um dos outros, dos a sério. Espere até tê-lo na mão. A sua vida nunca mais vai voltar a ser a mesma..."
Saí com vontade de chorar. Aos 30, resta-me "apaixonar-me" pelo meu cartão de crédito. Definitivamente, a minha vida já não é a mesma.

sábado, fevereiro 07, 2009

d) It was destiny...

Amigos e amigas, camaradas, desconhecidos, povo do meu país:
Corram a ver este filme! Não é para amanhã nem para depois, era para ontem!
O fabuloso Slumdog Millionaire vale cada minuto das duas horas que passarem no cinema, cada cêntimo que gastarem e cada lágrima que esconderem, envergonhados...
Vale pela esperança erguida em estandarte e pela resilência orgulhosa.
Garanto que é tudo bom: o argumento, a realização, a fotografia, a banda sonora e por aí fora. Tudinho.
Dedicado aos três grandes optimistas comentadores do post anterior (Oui, C´est Moi, Pulha e Apple), a todos aqueles que não desistem nem sabem como é que isso se faz e sobretudo, a quem viu o filme comigo, o maior exemplo de persistência, coragem e gargalhadas em tempos de crise que conheço.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Robin dos Bosques

Uma das minhas colegas de trabalho:
«Mas se o homem roubou aos ingleses para distribuir pelos portugueses, não estaremos a ser ingratos?»
Estamos. Claro que estamos. Só hoje é que percebi. Este gajo devia ser o nosso herói!
Está bem, a sensação que temos todos é que é injusto o dinheiro ter ido só para a família. Bem lá no fundo temos uma pena secreta de não sermos primos, enteados ou afilhados do Sócrates. Somos mesquinhos, pá, porque não sobrou nada para o nosso lado.
Eu aqui me confesso: se nesta vida, alguém quiser bater à minha porta com 4 milhões, será nas vossas offshores, querida família, que eles irão aterrar. Não têm offshores? Ó meus queridos, nada de preocupações. Eu «Isaltinarei». Escondo-o na Suiça, em meu nome, mas é todo vosso. Pelo menos, é isso que irei jurar em tribunal. E só por isso, povo do meu país, mereço o vosso voto!

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Neverland

Nunca minto. Às vezes melhoro, 1 bocadinho só, as coisas.
Nunca desisto. De mim. Dos meus amigos. Dos sonhos.
Nunca ataco sem ser atacada. Quando me sinto atacada, sou temerária. E vingativa.
Nunca planeio.
Nunca me rendo.
Nunca sofro por antecipação. Se o sofrimento vier, logo penso no assunto.
Nunca sou muito controlada. Nem muito descontrolada. Não controlo.
Nunca recebo nenhum amigo na minha vida sem ser de alma aberta.
Nunca choro sem ser preciso. Preciso muitas vezes.
E nunca mais é mesmo nunca mais. Lamento.

domingo, janeiro 25, 2009

Stop!!!

Sem comentários. Não precisa. É fabuloso e reflecte, em muito, aquilo que são as minhas convicções geo-políticas (se tal coisa existir...) Obrigada, querídissima C., por teres partilhado comigo este vídeo.

O meu Deus

Faltam-me palavras para exprimir o nojo que este homem me provoca. Para quem não sabe, a criatura deste vídeo faz parte da única dissidência oficial ao Concílio Vaticano II. Ele e mais 4 foram considerados tão nefastos dentro da Igreja que o Papa João Paulo II os excomungou. Ontem, o Cardeal Ratzinger, um dos grandes derrotados do Concílio, decidiu reabilitar os 5. Devolveu-lhes novamente o título de Bispos. E tenciona dar-lhes "rebanhos".
Graças a Deus que não sou Católica. Graças a Deus que sou anti-clerical. Graças a Deus, fiz-me ateia. Graças a Deus que Deus não existe.

sábado, janeiro 24, 2009

A mulher de César

Ninguém escolhe a família. Dito isto, depois da declaração de imprensa que o nosso Primeiro acabou de fazer na Alfândega, nada ficou "claro". (alguém conseguiu contar quantas vezes a palavra foi repetida?)

Se se provar que o tio do Eng. Sócrates realmente lhe pediu para receber os promotores do empreendimento de Alcochete (e que ele acedeu), a mulher de César parece pouco séria.

Se se provar que o tio recebeu dinheiro de investidores ingleses e o escondeu em offshores e se se provar que foge ao Fisco (esta a mim parece-me "given"... mas vamos lá dar ao homem o benefício da dúvida que a mansão pode ter duas hipotecas em cima), a mulher de César também não sai muito bem na fotografia. Quanto mais não seja porque, perante tão óbvios e dúbios sinais de riqueza, o principal responsável político pela máquina fiscal, assobiou para o lado.

Se se provar que o priminho (gostei muito de ouvir o Eng. Sócrates dizer "o filho do meu tio", como se não fossem parentela) enviou 1 email a pedir uns tostõezinhos só porque fazia parte da família do Ministro do Ambiente, o dever do Eng. Sócrates é pô-lo na prisão. Ou a mulher de César não é, de todo, séria.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Gripada

Apanhada pela epidemia de gripe 1 mês depois do resto do país, passei o dia a cantarolar esta música, entre ataques assassinos de tosse. Ou a febre é alta ou estou à morte.

terça-feira, janeiro 13, 2009

O atrasadinho está de saída!

Memorable words
“The education issue ought to be discussed about.” Austin, Texas, 2000
“I’m sure something will pop into my head here in the midst of this press conference, with all the pressure of trying to come up with answer, but it hadn’t yet.” After he was asked to name his biggest mistake since 9/11, 2004
“If you want the facts, it’s a size ten shoe that he threw.” After Iraqi journalist Muntadar al-Zaidi hurled his shoe at him in December
“You know, if you find a person you’ve never seen before getting in a crop-duster that doesn’t belong to you, report it”. After being asked what security advice he had for Americans in the light of Anthrax attacks on Washington in 2001
“I remember meeting a mother of a child who was abducted by the North Koreans right here in the Oval Office.” Rose Garden news briefing last June
“Sometimes you misunderestimated me.” Summing up his relationship with the media at his last press conference yesterday
Source: Times archives

domingo, janeiro 11, 2009

Crónica do Crime

Tenho uma paixão assolapada por esta música. É um dos meus segredos inconfessáveis.
Existe uma versão cantada pelo Elvis. E uma original, do Del Shannon. A que eu mais gosto é esta, da Crónica do Crime.

terça-feira, janeiro 06, 2009

"A vaca desnutrida e anémica"...

somos nós, Portugal! Palavras duma colega de trabalho.
Alguém me consegue explicar como é que o nosso Primeiríssimo tem a lata de ir à tv numa noite dizer que "é cada vez mais provável um cenário de recessão" mas que não consegue apontar números e hoje o Banco de Portugal lança a bomba? São os dois atrasadinhos mentais, é? O nosso primeiríssimo gostará assim tanto de perpetuar a imagem de urso de curso comprado? "Em Setembro não se podia prever a dimensão da crise"? Valha-me Nossa Senhora de Agrela...aposto que até a Maya podia e o Tarot não é ensinado na FCUL...

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Insónia e afins

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos... Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátria, tendes tectos, E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... Eu tenho a minha Loucura ! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí! José Régio, Cântigo Negro

Os meus mortos lá em Gaza...

Descendo de uma longa linhagem de bombistas-suicidas.
Não sei se já perderam algum dos vossos amores incondicionais nesta vida. Eu perdi todos. Sou a última pessoa viva da minha família.
Nunca conheci nenhum dos meus avós. Quando nasci, já todos tinham morrido.
As minhas avós lutaram muitissímo contra as fatwas que o destino lhes decretou: uma 12, a outra 15 anos. Morreram as duas de cancro da mama, numa guerra que nunca lhes deu hipótese nenhuma.
O meu avô paterno morreu com um ataque de asma, em parte por falta de assistência médica, em parte porque insistiu até ao fim que estava bem. Dele, além da capacidade de dormir em qualquer sitio, a qualquer hora, recebi também de herança uma bronquite asmática que precisou de 7 anos de vacinas para ficar controlada. Até ao dia...
Do meu avô materno, foi-me sempre dito que tinha morrido num acidente de caça. Era noite, estava escuro e frio, caiu a 1 poço, ninguém viu...Até ao dia em que enterrei o meu maninho, o único nesta família de gente com pouca apetência para a vida, a declarar com estrondo e consequência que não queria mais. O meu irmão suicidou-se. Mesmo. Sem desculpas nem tretas. Tinha 24 anos. E nesse dia, em que não me lembro de quase nada, lembro-me disso: a confissão envergonhada e escondida: "como o avô, tão novinhos os dois, pensei que soubesses..."
A minha mãe tinha morrido 9 anos antes. Soube que tinha cancro da mama e escolheu não lutar. Escondeu até ser impossível esconder. Até não haver cura nem redenção possível. Fê-lo num acto louco e bizarro de amor, por não querer transformar a minha vida e a do meu irmão na doença dela, para não nos fazer sofrer anos, para nunca a vermos transformar-se na doença e a doença a transformá-la a ela, como ela tinha visto a mãe, muitos anos antes. Fê-lo para nos dar paz e nunca nenhum de nós conseguiu encontrá-la.
A única irmã da minha mãe morreu menos de 1 ano depois dela. Estiveram doentes na mesma altura. E, confrontada com outra escolha impossível, também ela preferiu não viver. O meu "tio" ia deixá-la. Tinha reencontrado o "amor da vida dele" e ia embora. Na última noite que passou com ele, para salvar um amor desesperado e sem salvação, a minha tia engravidou. Pouco tempo depois, soube que também ela tinha cancro da mama. Se abortasse, podia lutar. Se levasse a gravidez até ao fim, estava perdida. Preferiu a minha priminha. Eu acho que foi para ficar mais um bocadinho dela no mundo. Até porque o mundo dela estava a extinguir-se. O meu tio voltou a casar, uns meses depois. A esta mulher, as minhas priminhas (existia outra, com 4 anos) chamaram a vida toda, mãe. Ela recortou, metodica e cruelmente, todas as fotografias da minha tia. A minha tia não existe. Assim. Quando penso nisso, é uma mártir de uma causa em vão...
O meu pai, de quem já falei aqui, morreu exactamente no segundo em que lhe disse que o meu irmão tinha morrido.Não foi do cancro que, oficialmente, acabou por lhe corroer o corpo 4 meses depois. Nestes meses de agonia entre um e outro, em que eu deixei de ser pessoa e alma, em que desci ao inferno mais profundo de mim sem ter a certeza de alguma vez conseguir voltar, o meu pai esteve sempre morto. À espera que lhe marcassem um dia e uma hora. Deus ou o Diabo. E a querer desesperadamente morrer, ao mesmo tempo que me fez jurar a mim, que viveria, custasse o que custasse. Porque, no dia em que eu morrer, não fica nada... Nenhuma memória destas vidas e destes amores. Nada.
Tenho pesadelos quase todas as noites. Choro muitas vezes. A maior parte sozinha mas, às vezes, com grandes amigos. Família. Não a que tive mas a que adoptei. E eles, com amor, são carpideiras do meu destino.
Se fosse palestiniana, estaria neste momento, a garantir com o Hamas, que Gaza será o inferno dos israelitas. Se fosse israelita, vingaria cada um dos meus mortos com sangue. Invertendo o Talmude, quem mata uma vida mata o mundo inteiro. Os meus mortos quiseram muito morrer. Os mortos de lá, em Israel como na Palestina, deixaram sem vida a vida dos que os amavam. Sem considerações geopolíticas ou históricas. E, para quem já perdeu tudo, perder a capacidade de respirar ou rir ou sonhar é coisa pouca. Hoje, os meus mortos lá em Gaza estão dos dois lados da barricada.