Gustav Klimt, O Beijo
É o beijo desta madrugada, entre dois sonhos, que gostaria de prolongar eternamente. Redimimo-nos e reencontramo-nos vezes sem conta, demasiadas já, acabámos de nos começar. São tantas, que começo a achar que fazemos de propósito, só pelo prazer de nos reinventarmos em princípios. Repetimos primeiros beijos de mãos entrelaçadas. E não há mais ninguém no mundo capaz de me fazer acreditar que, em cada beijo, fazemos amor e nos entregamos ao destino. Hoje, que voltei à tranquilidade furiosa do teu toque, é o teu sabor que trago ainda nos lábios. És tu. Debaixo das estrelas que se despedem, embalado pelo sono e pelo silêncio.
* Herberto Helder

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