terça-feira, setembro 08, 2009

Não há Festa como Esta

Fui de fim-de-semana para o Avante. O primeirissimo (vergonha!), neste ano de tantas estreias. Para quem nunca foi, ficam aqui umas informações: Sim, vendem-se Coca Colas. Sim, há Multibancos por todo o lado, em todas as barraquinhas e debaixo de pérgulas com buganvilias lilazes. E, sim, é um antro consumista de revivalismo proletário e pseuso-revolucionarismo fashion. É óbvio que amei aquilo perdidamente. Eu já ia condicionada para gostar. Tinha lá muitos amigos a fazer turnos em barraquinhas, muitos que tinham ajudado a montar a coisa, muitos que simpatizam ou militam na causa. Tinha a minha raiva anti-socrática, a minha recem-conversão à diversão nocturna e diurna, a minha eterna simpatia pela "esquerda radical". Mas os camaradas têm razão. O Avante é diferente de qualquer ajuntamento lúdico, cultural, político ou ideológico a que já tenha ido. É mesmo uma Festa. Recebe-se bem. Há ranchinhos, grupusculos cantadores, tambores e fanfarras. Há bifanas, bailaricos e muita, muita cerveja. Há bebidas boas de países distantes (Meu Deus, o que eu gostei do pisco chileno!!), música em quase todas as ruas, gente "mascarada" com Ches, foices-e-martelos, palavras de ordem em russo, cravos vermelhos e imensos sorrisos. Há crianças a tomar banho em fontes, multidões que dançam e saltam quando toca a Carvalhesa, milhares de pessoas que cantam em coro músicas da Revolução Cubana ou a "Trova do Vento que Passa". Há comidinha boa em quase todo o lado e muita vontade de mudar o mundo, com vista bonita para o Tejo. Há o discurso do Jerónimo, histeria quando passam imagens do Cunhal nos ecrans gigantes e militantes da vida toda que choram quando entram lá dentro, porque não podiam morrer sem vir ao Avante (conheci um destes velhinhos, o Sr. Manuel, durante o fim-de-semana, numa cadeira de rodas porque já tem 85 anos e as pernas falham, que me dizia que não há coisa mais linda que o nosso partido...).
Na Atalaia, tive direito à primeira (e suponho que única) dedicatória em palco da minha vida. Um grande amigo, de muitas lutas, é de longe o mais jovem membro de um grupo coral alentejano. Durante o concerto, viu-me no meio da assistência e lá me conseguiu pôr de lagriminha no olho, emocionada até mais não por uma homenagem que não mereço, quando me surpreendeu com a "Lavadeira". Obrigada, camarada. Hasta siempre.
P.S. As fotos foram tiradas por mim. Espero que nenhum dos retratados se ofenda mas tiro-as imediatamente se houver descontentes.

4 comentários:

Apple disse...

Adorei a tua crónica comu..comu..comu..comuniiisssta...(piadinha parva à Diácono Remédios, mas a que cedo sempre com facilidade).

Confesso que ainda não fui à festa do Avante mas é algo que não quero deixar de fazer. A ideia que tenho, independentemente das questões ideológico-partidárias é essa que tão bem descreveste, da camaradagem, do espírito de festa que reina, um je ne sais quoi, que tenho vontade de perceber entre os sons e os cheiros.
Ando há anos para fazer esse baptismo, desta ainda não foi, talvez para o ano...

p.s.gosto particularmente quando referes a "recem-conversão à diversão nocturna e diurna", define bem o meu estado actual...

Anônimo disse...

finalmente o relato da tua aventura no avante... já estava a pensar que algum camarada te tinha raptado ou que te tinhas juntado a alguma milícia vermelha num país remoto. isto para te perguntar: então não se comenta a campanha? os debates? vá lá, companheira de fins-de-semana trancados em casa a ver maratonas de cobertura de congressos de partidos duvidosos, throw me a bone ;-)
cris

Pulha Garcia disse...

vendem coca-cola? a água suja do imperialismo? Estou chocado...

J. Maldonado disse...

Nunca fui à festa do Avante e moro na zona.
Apesar de ser um evento do PCP, só é comunista nos discursos, pois a maioria dos que participam nele, vão apenas pelo convívio e pela diversão.